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BEATRIX KIDDO

Caindo na Rede
O advento da internet causou modificações significativas na vida das pessoas. Concebida em 1969, apenas em 1991, deu-se o formato da rede tal como é conhecido atualmente.No Brasil, a web teve seu crescimento principalmente depois de 1996, quando surgiu um dos maiores provedores do mundo, o UOL (Universo On-line).
A nova ferramenta gerou mudanças no comportamento dos indivíduos, estabelecendo, principalmente, novas opções de interação.
Desde então cresceu significativamente o número de portais de relacionamentos, bem como o de salas de bate-papo. Com tantas opções, a segmentação passou a ser uma nova tendência e isso propiciou maior diversidade, inclusive possibilitando a abertura de canais, sites e colunas predominantemente dirigidos aos gays (contando aqui, obviamente, o espaço exclusivo das meninas).


É claro que, hipocrisias a parte, antes do advento da internet essas orientações diversas sempre existiram, o que a rede fez foi somente aproximar pessoas com as mesmas preferências, opções, gostos e, principalmente, orientações sexuais. Certamente isso foi um balde de água fria nos caretas, pois se antes era tudo velado e varrido para baixo do tapete, a partir de então os gays vêm finalmente aumentando ainda mais a sua visibilidade.
A ferramenta também foi uma opção facilitadora para os iniciantes, especialmente para os moradores de cidades pequenas, pois conhecer alguém pela internet se tornou uma alternativa para suprir a falta de uma balada gay pela região. Além disso, a net também serviu para encorajar os tímidos, recatados, curiosos e, principalmente, os enrustidos de plantão, pois a rede permite o anonimato.


Desde então, a mídia abriu mais espaço para gays e lésbicas, porém ainda há muito a ser feito. O primeiro passo seria combater a tentativa de reforçar certos estereótipos, seja por parte da imprensa, seja por conivência dessa com o provincianismo da sociedade em geral. O certo é que existimos, que queremos nosso espaço e é mais certo ainda que somos muitas e diferentes entre si, dentro de uma gama mais variada que qualquer conservadorismo poderia supor.
Talvez seja exatamente essa falta de rótulo que assuste tanto, pois a ausência de clichês parece, aos olhos da sociedade, que as coisas podem estar fora de controle, afinal, tudo o que é diferente é desconhecido, e o desconhecido, geralmente por ignorância, causa medo. Por isso, cabe a nós mostrarmos como somos, sem rótulos, clichês e estereótipos pré-definidos, pois a graça da vida está exatamente na diversidade convivendo em harmonia, seja na rede, seja na vida, ou seja com quem cair em nossa rede! LÉSBICAS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!

Marimar do Bairro 25/03/2008

Ligando o Lésdar 01/03/08

Rebuceteio: você ainda vai entrar em um 18/11/2007

A diferença das semelhantes 02/09/2007

Amizades entre gays e lésbicas: mito, dissimulação ou verdade? 15/07/2007

Na parada só não vale ficar parada

O Poço da Solidão 25/06/07

Big Girls Cry For Girls Too 20/06/07

Caindo na rede 20/04/2007

O pior cego é aquele que não quer ver... 28/04/2007

Mães, sogras, cobras, jararacas e lagartos 13/05/2007

Umas mulheres são de Vênus, outras são de Júpiter, outras são de Saturno..18/05/2007

 

O pior cego é aquele que não quer ver...

Acho que quase todo mundo um dia já parou pra se perguntar por que somos “assim”. O pior é quando a família descobre e, além das nossas, ainda temos que lidar com as dúvidas e encanações deles também. A primeira reação dos pais é se perguntar onde erraram, como se isso fosse um desvio grave de conduta da nossa parte, e que nos resultasse num grande criminoso, uma pessoa fora dos padrões, da moral e dos bons costumes da sociedade vigente.Longe de mim querer achar culpados, mas muitas das pessoas que conheço não são assim porque querem. Isso significa que, ao contrário do que a maioria leiga prefere acreditar, isso não é uma “opção”, e sim uma “orientação”.

Mas de onde essa orientação vem? Eu acredito em duas hipóteses: ou somos assim por alguma causa genética, ou somos assim desde o começo da nossa formação como pessoa, dependendo de como reagimos com o universo ao nosso redor, a como controlamos e sentimos emoções, a como encaramos nossos problemas, alegrias e superações.


É claro que nem todos vêem a orientação sexual como um grande fardo a ser carregado. Eu, particularmente, se pudesse optar, nasceria assim de novo por todas as minhas encarnações, com todas as dores e delícias que o fato de ser lésbica pode causar a um ser humano em qualquer lugar, época e condição. Jamais me contentaria a ter uma vida de hipocrisia e mentiras para ocultar o modo de me relacionar que realmente me faz feliz.


O fato é que a maior parte dos gays que eu conheço sabe que o são desde cedo. Claro que talvez, quando criança, a gente não saiba ainda verbalizar ou entender o que isso vai significar posteriormente, mas desde sempre sabemos que somos “diferentes”. Aí, penso, que entra em cena o papel dos pais. Se nós, crianças que ainda não sabem o que o mundo nos reserva, já temos noção de que algo está ‘fora da nova ordem mundial’, o que se dirá dos pais, que estão conosco no dia-a-dia e cuidando intensamente de nossa formação?


Certamente eu acredito que eles já sacam fortes indícios, porém, talvez por falta de informação, vergonha, despreparo ou simples negligência mesmo, os pais preferem ocultar de si mesmos esse fato, deixando de lidar de maneira natural com coisas que também fazem parte da natureza, afinal, se não o fossem, não teriam sido criadas. Mas, esse hiato é fato concreto em nossa sociedade, que diariamente fecha os olhos para todos os sinais óbvios que a natureza manda, afinal, como todo mundo sabe, o pior cego é aquele que não quer ver...

Mães, sogras, cobras, jararacas e lagartos

Essa semana não tem como não falar das mães. Esses seres queridos e fofos, as primeiras mulheres da nossa vida. A reboque disso também não tem como falar das mães ‘delas’, esses seres especiais que cuidaram das nossas lindas meninas, que as educaram para serem essas fofas que são hoje, que cuidaram da febre, dos estudos, das férias, das alegrias e alergias, dos pesadelos, dos medos e dos traumas dos nossos bebês lindos, e que por isso devemos todo o nosso respeito e admiração às nossas ‘sogras’.


Sei que na teoria tudo soa bonito, mas na prática, será que é isso mesmo? Eu mesma já passei por experiências terríveis nas mãos delas. Depois disso comecei a entender o porquê desse sem-número de piadinhas dirigidas exclusivamente a essas mulheres. Algumas sogras certamente fazem jus a elas. Mas uma coisa que não consigo entender é porque os heteros é que as fazem, pois, afinal de contas, o meu grande problema com as ‘sogras’ é justamente o fato de eu ser uma mulher.


Explico: sou uma pessoa do bem, responsável, de boa família, boa índole, boas maneiras, boa educação, boa aparência, bom nível cultural, bom nível de instrução e muito bom coração, mas...sou mulher e, certamente, ao ver delas, claro, só para tirá-las do sério, provocar e afrontar a moral e os bons costumes, gosto das filhinhas delas e, como se não bastasse essa minha grande ousadia, as filhinhas delas gostam muito de mim também.
Se não fosse esse pequeno detalhe de eu ser uma mulher, ou a ausência de algum detalhe (talvez o pênis...) e excesso de outros (talvez os peitos?), eu seria perfeitamente bem recebida em qualquer almoço de família, seria convidada para as ceias de Natal, para o aniversário da cunhada, para o churrasco do sogro, etc. Mas até hoje, tudo que recebi logo que a verdade chega de pára-quedas nos lares dessas famílias foi ter a entrada impedida, a presença ignorada e a tentativa de afastamento devidamente planejada.


É claro que esses anos de amadurecimento me fizeram enxergar as crises das ‘sogretas’ de maneira muito mais racional, afinal, queridas leitoras, pensem comigo como se isso aqui fosse a cabecinha cheia de laquê das nossas sogras: a filhinha delas trocou o abraço delas pelo nosso, a caminha delas pela nossa, agora somos nós que cuidamos da filhinha delas quando a filhinha fica dodói, nós que damos todo o prazer do mundo pras filhinhas delas, nós é que somos responsáveis pelo sorriso que não sai do rosto da filhinha delas e, pra piorar, assim como é sonho do marido de nossas sogras, a filhinha delas acabou de fato trocando uma senhora de cinqüenta por uma menina gostosa de vinte e poucos...não parece trágico? Some-se a isso a menopausa, o climatério e pronto. Está decretada a terceira guerra mundial contra nós.


Eu, marrentinha declarada, costuma enfrentar a briga e pagar na mesma moeda, minha educação dependia da educação vinda da mãe da minha linda, mas hoje em dia só tento abstrair e mostrar quem eu realmente sou. Por mais que seja difícil e a sogra vire um fardo eterno na relação de vocês, pode ter certeza que uma bela noite, quando a sogrinha estiver passando o creme anti-rugas antes de dormir, ela vai pensar em você e, cheia de rancor e inconformidade, vai ser obrigada a admitir para si mesma que você é uma boa opção e está fazendo bem para a filhinha dela.

Umas mulheres são de Vênus, outras são de Júpiter, outras são de Saturno...

A admiração por figuras femininas sempre foi um ponto marcante e diferencial no desenvolvimento de minha personalidade. Desde a mais tenra infância minhas super-heroínas eram mães, avós, tias e, claro, a She-ra! Embora ainda persista o estigma de sexo frágil, fruto de uma sociedade patriarcal, machista e mesquinha, a natureza se mostra cada vez mais sábia, afinal, peculiaridades como cólicas, partos, TMPs, etc, são exclusividades femininas.
Os homens, por sua vez, puderam começar a expor seus medos e fraquezas, chorar em público, fazer depilação, passar cremes, cuidar da pele, do visual, dos cabelos, ir ao salão de beleza, ver novela, curtir Madonna e muitas outras coisas mais sem, necessariamente, ter fama de viado. E como é claro que ninguém leva um fardo maior do que pode carregar, as mulheres hoje em dia fazem tudo o que os homens fazem, e ainda o conseguem fazer de salto alto!
A força feminina é um fator elucidativo que ajuda a compreender o porquê de uma mulher acabar preferindo outra. Mas é claro que nem tudo são flores, força e coragem. Nós, mulheres complexas, somos obrigadas a lidar com a complexidade infinita de uma outra mulher, além de todas as nossas loucuras, traumas, inseguranças e surtos habituais. Talvez seja isso que torne a relação entre duas mulheres uma novela mexicana digna de deixar a Thalia morrendo de inveja.
Além de toda a alma revolta e a complexidade de um ser feminino exalando estrogênios e progesteronas, não podemos deixar de mencionar que são duas TPMs por mês, duas cólicas menstruais por ciclo, dois jeitos complexos de ver o mundo, dois jeitos profundos de sentir e milhares de hormônios sempre à postos e à beira de um ataque de nervos, geralmente sem hora, data e motivo real para acontecer.
É claro que no final das contas tudo se torna extremamente compensador, afinal é muito bom se relacionar com alguém que seja capaz de demonstrar algo muito mais que apenas fome, sono, tesão, calor e frio. Além do que, é óbvio não existiriam tantas mulheres preferindo mulheres se essa bendita novela mexicana não tivesse um final feliz.

O Poço da Solidão


Lançado em 1928 esse livro, que certamente figura como um dos principais romances lésbicos da literatura mundial, causou um enorme alvoroço. O romance apresenta uma “invertida” como tema central. A autora, encorajada pelo seu sucesso e por sua posição privilegiada, decidiu escrever esse romance em defesa dos até então conhecidos como invertidos. Em novembro de 1928 "O Poço da Solidão" foi proibido, acusado de obscenidade. O irônico é que de obsceno o livro não tem nada. Não há sequer uma descrição ou cena de sexo.


Os moralistas achavam que o livro lançava um olhar favorável sobre o lesbianismo, o que é mais do que irônico, uma vez que a personagem tem uma vida duríssima, sofre muito preconceito e o final é extremamente negativo (para nós, mulheres que amam mulheres, claro).
Na verdade, parece o tempo todo que a personagem está pagando penitências pelo fato de gostar de se vestir e ter fisionomia de homem. A personagem central, Stephen, é uma jovem inglesa que desde cedo já sabia ser “diferente”. A vida da protagonista é bem similar à da própria autora, Radclyffe Hall. A autora, aliás, pretendia com essa obra provar a tese de que a homossexualidade era inata. Portanto, não poderia ser considerada crime ou doença e deveria ser encarada com menos preconceito pela sociedade.
O estranho de tudo isso é que Stephen acaba no final das contas literalmente jogando sua amada nos braços de um homem, achando que por sua mulher ser mais jovem e não ter feições masculinizadas, ela ainda pode ser “salva”. Esse final é preocupante, ainda mais vindo de uma mulher que era lésbica, pois se ela possui essa mentalidade, imagina-se que a sociedade comum deve ser ainda mais retrógrada.


Outro problema reside no fato de se alimentar clichês. Stephen é visivelmente o papel masculino da relação, enquanto suas parceiras são sempre o lado frágil e feminino. A dúvida fica com as pessoas que não são “invertidas”, ou seja, que apenas são mulheres que gostam de mulheres. Essas, segundo a autora, poderiam ser “salvas”. Porém, acredito que a maioria das mulheres que figuram essa classificação não está com a mínima vontade de ser empurrada para os braços de algum príncipe encantado. Aliás, se Stephen tivesse dado à sua amada opção de escolha certamente o final desse livro poderia ter sido muito diferente e mais interessante.

Big Girls Cry For Girls Too

A vocalista do grupo Black Eyed Peas, Fergie, revelou recentemente ao jornal Daily Mirror que já teve experiências sexuais com outras mulheres. Na entrevista, a cantora afirmou que suas experiências lésbicas fizeram parte de sua rebeldia contra a rígida educação católica que recebeu na infância.
Fergie, de 32 anos, disse ainda que perdeu a virgindade depois dos 18 anos e que, embora seja uma pessoa muito sexual, não foi para cama com muitos homens. Atualmente a cantora namora o ator Josh Duhamel.
A vocalista do Black Eyed Peas também contou que foi viciada em anfetaminas e que já teve, inclusive, uma arma apontada na cabeça durante uma transação de drogas. Para as fãs da cantora vale lembrar que ela interpreta uma lésbica no novo filme de Quentin Tarantino, Grindhouse.

Amizades entre gays e lésbicas: mito, dissimulação ou verdade? Frequentemente é possível ver uma grande segmentação entre gays e lésbicas. As panelinhas só de meninos ou meninas são freqüentes, sem contar os lugares específicos para eles ou para elas ou os dias especiais de baladas, quando entram prioritariamente ou eles ou elas. É claro que temos enormes diferenças, mas a convivência deve ser mais do que fundamental. É claro que nós, mulheres, sabemos que se deixarmos os meninos tomam conta de todos os lugares possíveis e é impressionante como biba brota do chão, é pior que periquita do Estar. Mas também, há que se levar em consideração que eles também podem ser ótimos amigos, afinal, eles são superastral, divertidos, adoram elogiar uma mulher, sabem dar conselhos e tirar qualquer uma de uma fossa. Isso sem contar que há situações que um amigo é fundamental, pois que mulher nunca se sentiu insegura ou com ciúmes da própria melhor amiga, quando o assunto é relacionamento? Eu sei que existe uma rixa bem grande entre gays e lésbicas, mas o fato é que isso só trás pro mundo gay a mesma bobagem incorporada pelos heterossexuais. Eu sei que nossos amigos gays têm coisas que nos soam incompreensíveis, afinal, quem de nós já não se sentiu trocada por um bofe ou quem já não se sentiu um estepe ou mera dama de companhia ao ir com o amigo gay para a balada e em cinco minutos ele desaparecer e só chegar de novo ao amanhecer com a famosa pergunta: “Onde você tava? Te procurei a noite inteira!”

Rebuceteio: você ainda vai entrar em um

Uma das mais famosas cenas do The L Word foi a lista do rebuceteio feita pela Alice. E não é que no fim das contas todas tinham algum nível de relacionamento entre si? Embora Curitiba não seja mais o que a primeira sílaba de seu nome indica, às vezes parece que é sim. No meio feminino é muito comum ex de ex de ex de ex que é amiga da amiga da amiga da amiga, que ficou com tal que ficou com tal que ficou com tal, que teve um rolo com tal que teve rolo com tal que teve rolo com tal, que traiu tal com tal, que traiu tal com tal, que foi traída por aquela com aquela.


Isso talvez se justifique pelo lance de existirem poucas sapas disponíveis no mercado, o que acaba, invariavelmente, fazendo despertar nosso interesse pela ex da ex da ex, que é amiga daquela que teve rolo com aquela que chifrou a outra, e por aí vai, numa “Quadrilha” de Drummond ad infinitum.
Mas será que esses interesses são verdadeiros? Todas sabemos que estamos no meio mais vingativo, provocador de mágoas, manipulador e trocador de farpas que existe. Nunca sabemos até que ponto um interesse aparente pode não ser uma vingança planejada friamente visando os objetivos mais sórdidos e escusos que alguém poderia maquinar.
O mais interessante, é que a maioria das sapas que eu conheço, no fim das contas, não se importaria de ser manipulada por determinada menina, afinal, faz bem para o currículo e, não raro, você também está a fim de provocar alguém que há tempos você anda achando que merece ser provocada por algum outro motivo sórdido e escuso. Além disso, você passa a ser falada por todas e seu ibope sobe nas rodinhas, no melhor estilo “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”. Portanto, meninas, cuidado, o rebuceteio ainda vai bater em vossa porta e cabe a você saber como lidar com ele.

A diferença das semelhantes
Cresci ouvindo sobre a diferença entre os sexos, seguida de reclamações de ambos os lados, sobre incompreensões, timing diferentes, hábitos incompreensíveis, futebol versus shopping center e tudo o mais. Quando comecei a me relacionar com mulheres, sinceramente pensei que tudo seria fácil, afinal, uma mulher entende a outra, pois as duas, pelo menos genericamente passam pelas mesmas coisas, têm TPM, têm crises do nada, dizem “sim” quando querem dizer “não”, dizem “não” quando querem dizer “sim”, têm freqüentes crises existenciais, adoram as mesmas coisas, etc. Fácil, né? Mas não foi bem assim que tudo aconteceu.


Recentemente formulei uma teoria, que pelo que tenho observado se encaixa perfeitamente na vida da maioria das minhas amigas. Acredito que as lésbicas, de maneira geral, também de dividem em duas grandes categorias. Seriam a classe X e classe Y (não poderia dividi-las entre classe e A e B, pois as que ficariam na classe B se sentiriam pejorativamente rebaixadas, e eu tenho amor à vida, pois sei a fúria que uma entendida revoltada é capaz de ter...rs). Pois bem, assim como homens e mulheres, estaríamos subdivididas, não com clichês femininos e masculinos, pois essa subdivisão é mais do que uoohhh, e sim subdividas em pessoas com características semelhantes e que, no entanto, acabam se unindo às mulheres com características diferentes, senão opostas.
As pessoas com as mesmas características, gostos, modo de vida, etc, por mais que começássemos a nos relacionar amorosamente, logo nos tornaríamos amigas, e mais do que imediato essas já seriam nossas parceiras para reclamar das namoradas, as nossas e das delas, que seriam de outra categoria, e por isso tão incompreensíveis quanto nós para elas.

E é desse embate que a vida é feita, homens reclamam de mulheres, mulheres reclamam de homens, homens reclamam de homens, mulheres reclamam de mulheres e é assim que o mundo é. Talvez pelo simples fato de que almas gêmeas podem não existir por mais que a gente possa ter, sim, um par ideal. Afinal, já pensou o quão sem graça seria a vida se não existissem surpresas, troca de informações, gostos, idéias, problemas a serem superados e até mesmos surtos de ciúmes e incompreensão, que de vez em quando são ideais para apimentar a relação?

 

NA PARADA SÓ NÃO VALE FICAR PARADA!!!!
Foi-se o tempo em que andávamos dispersas, achando que éramos as únicas mulheres que gostavam de mulheres no mundo. Hoje em dia temos bares, baladas, sites, seriados e muitas outras opções de entretenimento, cultura e turismo voltadas exclusivamente para lésbicas.
Embora estatisticamente ainda sejamos em menor número do que os meninos, já podemos notar nossa expressão aumentando ao longo dos anos e a parada gay é uma ótima oportunidade para mostrarmos nossa cara. É importante participar de algo em que as atenções, tanto da mídia quanto da sociedade, se voltam para o segmento gay, mesmo que seja uma vez por ano.


Esse ano a parada de São Paulo arrasou, afinal, de onde 3 milhões de pessoas reunidas numa só avenida podem continuar sendo tratadas como minoria??? É com demonstrações como essa que conseguimos provar nosso valor, brigar pelos nossos direitos e exigir dignidade e respeito, afinal somos cidadãos como quaisquer outros, além de sermos uma parcela econômica, social e culturalmente importante da sociedade e esse fato não pode ser ignorado.
Para nós, mulheres, a parada também serve como um excelente meio de nos mostrarmos como somos, longe de qualquer estereótipo e de certos clichês tão explorados pela opinião pública. Por isso compareça à parada, leve suas amigas, faça bonito. Chegou a hora da gente mostrar nosso valor, mostrar que somos muitas e somos diversas, cada uma com seu jeito de ser e todas dividindo a mesma condição, num clima de grande festa, confraternização e, acima de tudo, consciência de nosso papel!

Ligando o Lésdar

Antigamente era muito fácil reconhecer uma lésbica. Unhas e cabelos curtos, pochete, bermudão de surfista ou calça larguinha, regata, camisa ou camisetona, coturno, boné, óculos de surfista, um jeito característico no andar e um modo enfezadinho de ser. Isso sem contar o jeito de falar e a voz geralmente mais grossa. Mas será que todas as lésbicas são assim?

Longe de querer estereotipar a imensa flora sapa que existe, vamos tentar enumerar algumas características comuns a todas, seja para divertir as que já estão no meio, seja para ajudar as que estão se descobrindo agora. Se você está num ambiente que não uma balada gay, você pode começar pelos seguintes detalhes: se a menina em questão usa anel no dedão direito, isso significa que ela é lésbica. Se ela usa anel no dedão esquerdo, é porque ela é metida a bi.

Deixando de lado a aparência, é possível verificar um jeito mais retraído da moçoila e uma absoluta discrição sobre a vida pessoal. Algumas tentam abafar o caso falando apenas que namoram “uma pessoa”. Outras tentam disfarçar invertendo os pronomes, utilizando tudo no masculino, o que, não raro, gera gafes como: “não agüento mais as tpm´s dele”. Isso sem contar que, na pressa de trocar o nome da namorada pelo masculino correlato, surgem situações como “fui eu e meu namorado, o Bárbaro”. (Conan, o Bárbaro?)

Os gostos musicais também sempre entregam qualquer sapata. Nem todas as que gostam são lésbicas, mas todas as lésbicas gostam de pelo menos algumas dessas cantoras a seguir: Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto, Ana Carolina, Maria Bethânia, Maria Rita, Ângela Rorô, Gal Costa, Rita Lee, Simone, Céu, Edith Piaf, Alanis Morrisete ou Norah Jones.

Como diria o famoso e cretino ditado: um gambá cheira o outro. Portanto, não se incomode com o fato de ainda não reconhecer as “colegas”, pois o lésdar vai se aprimorando com o tempo e logo, logo você não fará o menor esforço e ele já irá disparar automaticamente, alcaguetando toda a sorte de sapatas!

Marimar do Bairro

Se o mundo fosse um pouco menos preconceituoso e hipócrita, não seria raro ver na teledramaturgia em geral, e na mexicana em particular, a Maria do Bairro suspirando de amores pela Marimar.

Todo mundo sabe o quanto mulheres são movidas a sentimentos, dignos de folhetins como “Sabrina”, “Bianca” e “Júlia”, mas no meio lésbico tudo tende a ficar especialmente melodramático.

O primeiro sintoma é o grude. Sem a presença de Marimar, o ar fica rarefeito para Maria do Bairro, que já não consegue mais nem mesmo ir ao toalete sem a presença da amada. Da primeira noite juntas para a união de escovas de dentes estável, é quase tão rápida a ponto do casal logo estar compartilhando as mesmas calcinhas e já não lembrar mais qual é de quem.

Além da síndrome siamesa, outro clichê das novelas mexicanas sapatônicas são os apelidinhos cretinos dados uma para a outra na intimidade e que, não raro, são sempre pronunciados com uma impostação de voz geralmente infantil ou adaptada de algum desenho animado.

Claro que com tanto grude vêm as brigas desnecessárias, e não existe ninguém no mundo que ame tanto uma DR (discussão de relacionamento) quanto uma sapa. Maria do Bairro deixou a toalha em cima da cama, dá-lhe DR, ex-namorada de Marimar ainda perturba, dá-lhe DR, hoje Marimar está assim sei lá, dá-lhe DR, Maria do Bairro está com TPM, dá-lhe DR, Marimar anda estressada no trabalho, dá-lhe DR, hoje não temos problema? Melhor discutirmos sobre isso, e dá-lhe mais DR...

Geralmente após uma DR, seguida de muito choro, acessos de fúria, mais choro, indiferença, choro, ódio, mais choro, ciúmes, choro, sentimento de posse, choro, juras de amor, mais choro, beijos com gosto de sal, choro, beijos lacrimosos, mais choro, beijos calientes, seguidos de cenas censuradas e a alegria ao acordar, nosso casalzinho volta a ter paz conjugal, retornando imediatamente para a síndrome siamesa e a invenção de novos apelidinhos cretinos até acontecer, é claro, a próxima DR, que, aliás, já pode ter como motivo quem vai fazer o café, ou o porquê da Marimar sempre apertar a pasta de dente no meio para a ponta, sendo que o certo é do fim para a pronta, como insiste há tempos Maria do Bairro, mas parece que Marimar não a escuta. Aliás, Marimar parece meio alheia nesses últimos tempos, não? Calma, senta aqui, Maria do Bairro, vamos discutir com Marimar sobre isso...e a novela continua, em seus capítulos diários de guacamole na veia...