Capítulo I
A faculdade já não era mais a mesma coisa. Não eram as mesmas pessoas. A turma q entrei na faculdade já havia se formado. Restaram apenas poucos q não conseguiram ter seus projetos de conclusão aprovados. Mas esses ainda estavam um ano a minha frente.
Trancar a faculdade e voltar não é nada fácil.
Me sentia meio perdida entre as matérias. A sensação
de q não aprendi nada nos anos anteriores me consumia. Talvez eu até
tivesse aprendido, mas os 2 anos de afastamento serviram como uma borracha
passada em traços leves de um rascunho. O conhecimento não foi
lapidado e fixado. Se perdeu fácil.
Minha vida pessoal vinha de mal a pior. Como se não bastasse a faculdade.
Minha namorada havia me deixado. Sua vida profissional estava em jogo. Passei
meses na luta para me reerguer. Mas a cada novo e-mail e a cada conversa q
tinha com ela, me deixavam desnorteada. Eu a amava , mas eu não a teria
tão cedo. Eu precisava me livrar dessa dependência. Não
prometemos fidelidade. Embora nossa vontade de esperar fosse grande. E isso
estava me arrastando para baixo. Ia cada vez pior na faculdade. Além
da minha dificuldade de manter a concentração em aula, a diferença
de conhecimento em relação aos meus colegas se mostrava cada
vez maior. E eu cada vez mais desesperada.
Comecei a buscar ajuda entre os professores. Livros. Referências.
Um certo dia. Estava eu quieta em meio a minha confusão quando ela
se aproximou.
- Você está bem? - disse ela colocando a mão em meu braço.
- Estou bem! - resmunguei sem levantar a cabeça.
Continuei a aula inteira com a cabeça baixa, sem olhá-la, mas
tentando prestar atenção no q ela dizia. Teorias mais teorias.
Tudo q eu deveria aprender, mais do q qualquer outra pessoa naquela sala.
Mas nada daquilo entrava na minha cabeça. A conversa com minha ex-namorada,
na noite anterior, tinha me consumido as energias.
Mal acabou a aula e eu já estava indo em direção à porta. Não tava a fim de ficar ali. Não dessa vez. Queria q o dia acabasse logo.
- Julia, fique na sala por favor.
Parei. Fiquei de costas por um tempo ainda. – era tudo q eu precisava, uma bronca. – Me virei, sentei no tablado próximo a mesa dela. Fiquei esperando enquanto ela tirava dúvidas dos outros alunos. Quando a sala ficou vazia ela pegou uma cadeira e sentou-se na minha frente. Eu estava com os braços apoiados nos joelhos com as mãos soltas e a cabeça baixa. Não olhei pra ela.
- O que você tem??
- Já disse q estou bem professora.
- Estou preocupada com você, Julia – disse pegando em minhas mãos. – Está na cara q você não está bem. Você não tá indo bem na matéria, mas nunca te vi tão desanimada quanto hoje, e também foi logo saindo. Você sempre fica pra conversar........ O q está havendo?
Senti uma lágrima escorrer em meu rosto. Senti o calor de suas mãos nas minhas. Respirei fundo. E olhei em seus olhos.
Azuis.
- Desculpe Letícia, eu só estou me sentindo perdida. Tô tendo muita dificuldade com as matérias.
- É só isso mesmo?
Olhei-a por um instante. Olhei para o chão
- Sim.... é só – Menti.
De fato passávamos um bom tempo conversando sobre inúmeros assuntos, mas não estava a fim de falar que estava assim por causa de outra mulher.
Ficamos em silêncio por um tempo.
Levantei a cabeça. Ela sorriu. – que sorriso! – Ainda segurava minhas mãos. Soltou uma. Afastou os cabelos de meu rosto e enxugou uma lágrima que insistia em me fugir.
- Acho que posso te ajudar.......pelo menos a entender os processos.
- Como?
- Você pode me ajudar na tradução da minha pesquisa, aí conforme você for lendo a gente debate e vou tirando suas dúvidas .... o q acha?
- Eu não sei , vo... - não me deixou continuar.
- Você sabe qual é a pesquisa Julia, só vai se aprofundar mais.
- Tá .. eu sei..... sério... fico muito feliz com o convite, mas eu não posso me dedicar muito a te ajudar.
- Eu sei... o estágio não é?
- É ....
- Vamos fazer o seguinte.... não se sinta com prazos a cumprir. Afinal, para discutirmos o que ler, eu terei q ter lido também, não é? – fiz sinal afirmativo com a cabeça.
- Então, – continuou – vamos fazer o seguinte, este fim de semana não vou viajar com meu marido... e se você quiser, pode ir sábado na minha casa e a gente começa e estudar. O q acha?
- A gente pode tentar – disse com um tímido sorriso.
- Então combinado.... Aparece lá às 3 horas – disse me dando um cartão – Me liga qualquer coisa.
Sorri. Me despedi e fui para a próxima aula.
-------------------------------
O dia tinha começado normal. Fui em direção à sala de aula e comecei a me preparar para começar. Ainda era cedo, os alunos estavam chegando. O sinal tocou e eu comecei a matéria. Passados trinta minutos, ela chegou. – nossa, mais atrasada do q o normal – sentou-se no canto da sala. Abaixou a cabeça e ficou ali. Sem os habituais comentários ou risos.
Senti tristeza na ausência de olhar.
Interrompi a explicação e fui até ela. Sua resposta não me convenceu. Continuei a aula. Quando terminei, a vi saindo com pressa. Ela realmente não estava bem. A pedi para q ficasse. Conversamos, mas suas palavras não me convenciam. Havia algo q ela não queria me contar. Resolvi ajudá-la com q podia.
Antes de ir embora ela me sorriu. Perdi o fôlego. “Meu Deus, o q foi isso?”
Passei o resto do dia tentando entender aquela sensação. Ainda sentia o calor de suas mãos nas minhas.
Capítulo II
A semana se passou como as outras. Corrida e sem tempo. Eu mal tinha tempo para respirar. Meus trabalhos da faculdade não chegavam perto do mediano. Eu me esforçava, mas parece q nada do q eu fazia dava certo. A chegada do sábado me animava. Havia separado algumas coisas q eu andava lendo. Iria aproveitar para tirar algumas dúvidas com Letícia. Sempre nos demos muito bem.
Adorava a companhia.
Tinha algo nela q me fazia bem. E eu a queria bem.
Sábado chegou e fui até a casa dela. Fui pontual como sempre. Mas para ela isso era uma novidade.
- Nossa, bem no horário!! Não esperava. – me disse com o sorriso mais escancarado.
Entrei e, enquanto ela me mostrava a casa e o caminho para a sala onde iríamos estudar, reparei que ela vestia uma calça de moletom solta e uma regata branca. Estava muito à vontade.
Chegamos ao escritório. Vi livros, cadernos e fotocópias espalhadas pela mesa, ao lado do computador. Todos com muitas marcações. Muitas canetas marca texto, de varias cores, e lápis a disposição. Ela me indicou uma poltrona ao lado da prancheta de desenho. Reparei q aquele espaço fora improvisado. – Estava vendo onde ficaria melhor quando você chegou, não esperava q você seria pontual. – disse me deixando completamente sem graça.
- Pode deixar Letícia, tá bom assim...... qualquer coisa deixa q eu me viro – disse tentando disfarçar.
Peguei a poltrona e coloquei-a mais no canto da sala. Mostrei a ela o q eu andava lendo e a pedi q lesse também. Aqueles textos não faziam parte da área de especialização dela. Mas as coisas técnicas q me atormentavam eu acreditava q ela deveria conhecer.
Ela aceitou e me deu um artigo cientifico para ler. Este fazia parte da pesquisa. Ficamos ali, lendo. Cada uma em seu canto. Eu lia com atenção, procurava anotar tudo q achava interessante e importante.
Um movimento dela roubou minha atenção. Da onde eu estava sentada, podia vê-la perfeitamente. Ela prendia os longos cabelos loiros em um coque usando um lápis para prender. Me surpreendi com um pedaço de tatuagem lhe subindo a nuca. Voltou para o texto. Mordia a tampa da caneta enquanto lia. Nunca havia reparando em como era sexy. – Menos Julia, você esta aqui para estudar. – pensei comigo.
Me ajeitei na poltrona e voltei para o texto. Devia ter passado meia-hora quando terminei. Levantei os olhos e me deparei com aqueles olhos azuis. Sorriu. De certo ela me esperava. Então começamos a debater sobre os textos. Os meus e o dela. A conversa vinha animada. E eu estava feliz por finalmente entender alguma coisa. Então, de repente, fomos interrompidas.
- Oi amor....
- Oi querido.. tudo bem?
- Sim.. só vim avisar que já cheguei... não quis atrapalhar.
E eu só olhando.
- Ah!... me desculpe... Julia este
é Marcos, meu marido.
- Muito prazer – me disse estendendo a mão.
- Oi..... – cumprimentei-o e voltei para poltrona.
- Vocês já jantaram?
- Na verdade não.... – Letícia olhou no relógio
– Nossa. Já são 8 horas!!
Me levantei.
– Acho q já está na hora de eu ir então.
- Fique Julia.
- Imagine... não quero atrapalhar.
- É, fique... eu vou pedir uma pizza pra gente e vocês continuam
a estudar. – Marcos saiu com o telefone na mão nem me dando chance
de recusar.
Jantamos. Bebemos vinho. E ficamos divagando sobre assuntos alheios. Marcos contava piadas. Riamos muito. Era perto da meia-noite quando sai de lá. Letícia havia me dado mais dois textos para ler. E nos encontraríamos na casa dela durante a semana à noite. Estava feliz. Há tempos não me divertia tanto. E eu finalmente conseguia entender algo.
--------------------------------------
Era 3 em ponto quando o interfone tocou. Achei q Marcos havia esquecido algo para trás. Mas era Julia. Nunca imaginei q seria pontual. A levei até ao escritório. Enquanto pegava um artigo para ela ler, ela me surpreendeu tirando da mochila alguns textos. Disse q andava lendo coisas q os outros professores indicavam, mas nunca conseguia conversar com eles para tirar dúvidas. Me perguntou se eu poderia ajudá-la com isso. Aceitei. Peguei os textos e entreguei o artigo. Comecei a ler. Textos muito interessantes. Julia estava tendo uma boa base.
Aquele sábado de agosto
estava diferentemente quente. Prendi o cabelo q voltei a ler. Senti seus olhos
em mim. Mas não me virei. Depois de ter lido todos os textos me virei
para chamá-la. Ela estava muito concentrada. Ainda não tinha
terminado de ler. Reparei q anotava tudo q podia. Ela havia aberto um botão
de sua camisa e dobrado as mangas. Estava realmente quente. Os traços
de seu rosto eram suaves. Os óculos lhe caiam bem.
Seus cabelos curtos tinham um brilho diferente.
Terminou de ler e me encarou. Perdi o fôlego novamente. Disfarcei.
Estava feliz por ela estar ali.
Não vi o tempo passar. Quando Marcos chegou me assustei.
Julia se levantou. Fez q ia embora. Eu não queria. A boa intenção
de Marcos fez com que ela ficasse. Fiquei feliz.
Durante o jantar me sentia mal. Queria estar apenas com ela. Não conseguia
tirar meus olhos dos dela.
Castanhos.
Ela foi embora. Mas com a promessa de que voltaria.
Capítulo III – Primeiras impressões 1
A noite estava fria. Deitei em minha cama. Queria dormir, mas não a tirava de minha cabeça. - O que está acontecendo? Por que ela me chama tanta atenção? – Marcos deitou na cama ao meu lado. Eu estava de costas pra ele. Passou a mão em meu corpo. Encostou seu corpo no meu. Fingi q dormia. Ele não insistiu. Apenas me abraçou e pouco tempo depois senti q dormia.
Nunca senti interesse em outra mulher, por mais deslumbrante q fosse. Mas Julia era diferente. Tinha o cabelo curto. A franja comprida teimava em ficar na frente do rosto. Sempre usava camisa e jeans. Andava de All Star. Vermelho. Às vezes preto. Sempre carinhosa e atenciosa. Muito diferente de quando a vi pela primeira vez.
Era verão. Eu estava passando as férias na casa dos meus pais em Florianópolis. Estava com meu marido, irmã e cunhado na praia Mole. Bebíamos em um quiosque. Riamos muito com as piadas infames e já conhecidas de Marcos. Uma mulher começou a gritar. Desviei minha atenção a ela.
Uma loira, de corpo malhado, estava em pé gritando com uma garota q estava sentada na mesa. A garota a olhava incrédula. Reparei q ela falava apenas porque seus lábios se moviam. A loira estava fazendo o maior escândalo. Pelo q pude notar era ciúmes. Quando todos q estavam próximos ao quiosque já estavam assistindo ao espetáculo da loira, a garota levantou, com o olhar mais sério q eu jamais vi igual, e pegou a loira pelo braço. Me pareceu q quanto mais raiva ela tinha, mais baixo falava. Desta vez quase não notei seus lábio se mexerem. Seu olhar me dava medo. A loira pegou o copo mais próximo de sua mão livre e jogou seu conteúdo no rosto da namorada. Esta apertou o braço da loira com mais força. Ela reclamava de dor. Ela era mais alta e mais malhada q a namora, mas visivelmente a namorada era mais forte. A garota soltou a loira, q foi embora. A garota olhou pra baixo, passou a mão no cabelo, levantando o rosto. O sol refletia em sua pele molhada. Aquela cena ficou gravada pra sempre. Naquele momento já não tinha mais medo. A serenidade com a qual ela olhou o garçom era de como se tivesse tirado o mundo dos ombros.
Dois meses depois vi aquela mesma
garota entrar na minha sala de aula. Julia. E com o passar dos dias ela foi
se mostrando pra mim cada vez mais atenciosa e carinhosa.
O seu jeito de moleca rendia muitas risadas nas conversas dos intervalos.
Lembrar dela com tantos detalhes assim me deixava assustada. Afinal eu estava
casada com Marcos. Tinha q arranjar um jeito de resolver essa situação.
Capítulo IV – Primeiras impressões 2
Peguei a moto com a intenção de voltar para casa, mas quando reparei, eu estava parada em frente à porta da casa de Dani. Já passava da uma da madrugada. Mesmo assim ela me atendeu. Ela abriu a porta.
Beijei-a.
Fui levando ela para dentro da
casa. Fechei a porta com o pé. Não afastei minhas mãos
dela. Fiz seu corpo colar no meu. Beijei seu pescoço. Gemeu. Ela afastou
seu rosto por um momento. Olhou-me nos olhos. Aqueles olhos cor de mel me
analisavam. O tesão que ardia em mim estava evidente.
- Não quero saber porque está fazendo isso agora..... –
se afastou de mim – ...Só faça com q não me arrependa
depois – tirou a camiseta fina q usava para dormir e me puxou de volta
pra ela.
O beijo era misto de desejo e saudade. Há muito tempo não a
procurava.
A levantei do chão. Prendeu as pernas em volta do meu corpo. Abraçava-me
pelo pescoço. Segurava meus cabelos. A carreguei até a cama.
E ali descarreguei meu desejo e lhe dei prazer. Horas depois. Estava eu deitada,
com Daniela deitada com a cabeça em meu peito, olhando para o teto.
- Em que está pensando.....
– me assustei, achei q ela ainda dormia – Ou melhor...em quem
está pensando?
Fiquei em silêncio
- Pode falar Julia..... – Ela se levantou um pouco, olhou em meus olhos
- ... é a Ana que está te deixando assim?
- Não... a Ana não tem nada haver com isso.
Então contei tudo q havia
acontecido na casa de Letícia e de como eu me sentia desconfortável
em vê-la com o marido.
A primeira vez em q a vi. – Ainda me lembro bem. – Ela vestia
uma calça jeans e usava uma blusinha sem mangas bem comportada. Era
o primeiro dia de aula. Ela estava muito séria. Apresentava sua maneira
de trabalhar e do que se tratava sua matéria. Algo me dizia q eu ia
me dar muito mal. Durante o intervalo fui dizer a ela q meu nome ainda não
estava na chamada. Perguntou de onde eu era transferida, pois não lembrava
de meu rosto na faculdade. Contei minha situação. Ela largou
aquela máscara de professora de lado e se mostrou uma excelente companhia.
- Você está apaixonada
por ela. Fato!
- Ah, sei lá Dani...... pô.. ela é casada....
- Isso não quer dizer nada ....Eu também fui, esqueceu??
- Verdade.... mas quando começamos a nos encontrar assim você
já estava divorciada....
Ela fez q sim.
- Eu não acredito q tenha alguma chance.
- ‘Tá loca? – me bateu no ombro – Você consegue
conquistá-la.... mas você tem q ser sutil e mesmo assim mostrar
muito bem o q quer de verdade.
- Certo.... mas depois penso melhor nisso.... – olhei para ela de um
jeito malicioso – .. Agora eu to morrendo de calor, que tal a gente
ir tomar um banho.... – disse puxando ela da cama.
- Você não presta Julia..... – disse rindo e batendo em
meu ombro...
Depois de um bom tempo saímos do chuveiro. O dia já estava bem claro lá fora. Resolvi ir finalmente para casa. Estávamos nos vestindo no quando fomos surpreendidas por Guilherme, que entrava fazendo a maior festa.
- Mamãe!!! Bom dia... –
disse pulando no colo de Dani.
- Bom dia, meu bebê.... – beijou-lhe as bochechas e o colocou
no chão.
Ele saiu correndo em direção a sala...
- Não dá mais oi pra mim, Gui? Vou ficar triste – Disse
brincando.
Ele, então, voltou correndo me abraçou.
- Bom dia tia Ju! Num fica titi não. – beijou meu rosto e saiu
brincando.
Depois do café da manhã peguei meu rumo de volta para casa. Daniela me fez prometer q pelo menos tentaria conquistar Letícia. No caminho já foram me surgindo algumas idéias. Estava louca para colocá-las em prática.
Capítulo V
Os dias foram passando sem nada muito diferente. Encontrava Letícia uma vez por semana na casa dela depois do trabalho. Algumas vezes durante a semana mandava-lhe entregar uma rosa com um poema no bilhete. Fazia questão de sempre mandar um poema diferente e escrito no computador. Sem assinatura.
Fiz questão de estar presente na entrega da primeira.
Era uma quinta-feira e ela estava na sala dos professores no final da aula. Toda quinta ela ficava até mais tarde para atender os alunos com dúvidas. Eu estava sentada na frente dela. Discutíamos um caso q eu estava estudando e desenvolvendo para outra matéria quando o entregador bateu na porta.
-Por favor, onde posso achar a professora... Letícia? - Perguntou verificando o nome no papel.
-Sou eu mesma. - disse com cara de dúvida
-Está flor é para a senhora. - entregou a rosa – Por favor, assine isso.
Ela assinou e ele saiu.
Pegou o bilhete e conforme ia lendo um sorriso faceiro ia tomando conta de seus lábios. - Nem carnudos, nem finos. Na medida ideal. - Quando chegou ao fim fez uma cara de quem não estava entendendo nada. Virou o cartão três vezes procurando algo. Foi a minha deixa.
- Quem mandou, Letícia?
- Não sei, veio sem assinatura.
- Deve ter sido o Marcos então? – não sei porque eu disse isso..
- Não...... Marcos não é desses romantismos.. – olhava fixamente para a rosa.
Olhou para o bilhete. Cheirou a flor. Sorriu.
- Seja lá de quem for eu adorei isso. – olhou para mim. – Fica entre nós, ta?
- Claro! – Sorri de volta.
Naquele momento eu havia ganhado meu dia.
Continuamos nosso papo. Ela não se preocupava em conter o sorriso.
E assim foram os dias. Reparava nela uma felicidade diferente sempre que recebia
uma rosa. Ela nunca comentou nada além daquele dia. Mas nem precisava.
Um certo dia eu estava esperando a aula começar. Estava perto de uma
escada aonde alguns colegas se reuniam para fumar. Quando escutei aquela já
tão conhecida voz. Olhei para cima. Ela vinha acompanhada de outra
professora.
Meus olhos seguiam todos os seus movimento. A maneira como passava a mão pelo cabelo. Como os lábios se mexiam. O sorriso estampado. Reparei na rosa no topo da pilha de livros que levava.
Ela tropeçou.
Sem hesitar, a tomei em meus braços evitando que fosse ao chão.
Ela olhou em meus olhos. Mergulhei naquela imensidão azul e o tempo
parou. Não via mais nada. Não escutava mais nada. Tudo o que
queria era beijá-la.
- Obrigada .. – ela disse me trazendo de volta a realidade.
Ajudei-a a se levantar e pagar as coisas que haviam caído.
- Mais uma? – perguntei apontando para a flor
- Sim.. linda, não é?
Fiz q sim.
- Já perdi as contas.
“Eu também” – pensei.
Ela beijou-me a face. Agradeceu novamente. E foi embora, me deixando ali.
Pela primeira vez sem reação. Sem fala. Sem Ar.
---------------------------------------------------
Aquelas flores e poemas me levavam ao céu. Tão lindas palavras.
Tenho certeza q escolhidas com muito carinho. No começo me assustei.
Pois sabia q não eram de Marcos. Ele nunca foi dado a romantismos.
Nem mesmo quando começamos a namorar.
Aquele já era o décimo poema q recebia. E nele, o desejo de quem me mandava lindos versos estava estampado. Não parava de lê-lo.
"Uma mulher ao sol – eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.
Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol – eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pêlo úmido, e um sorriso
À flor dos lábios entreabertos para o gozo.
Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda e com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce
E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente – e se deixa a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir..."
- Vinicius de Moraes.
Me virei assustada e vi a professora Camila próxima a minha mesa.
- Como é?
- Esse poema... é Vinicius de Moraes. Não sabia?
- Na verdade não...
- Pois é...... Eu li num livro q a Julia do terceiro ano estava carregando outro dia. Lindo, né?
- Sim......lindo... - me passou pela cabeça q não se passava de uma coincidência.
Camila disse q Julia andava copiando os poemas, dizia que resolvera ilustrar
os que tinha gostado mais. Ela sofria desses rompantes de criatividade. Os
resultados eram sempre muito bons. Pena q muitas vezes isso não funcionava
com relação aos trabalhos da faculdade. Só podia ser
uma coincidência. Lembrei daquele dia em Florianópolis. Ela não
parece ser do tipo romântica. E da primeira vez ela ainda perguntou
se era do Marcos. Mas lembrando bem, ela sorriu quando reconheci q não
poderia ser dele.
Mas se eram dela as flores e os poemas por que nunca assinou?
Eu precisava saber se ela tinha algum interesse em mim. Ter certeza. E, se não, tirar toda essa fixação por ela da minha cabeça. Eu já não aguentava mais ficar um dia sem vê-la. Lamentava ter Marcos em casa sempre q ela ia. Eu me sentia péssima. Não podia ser sacana com meu marido. Mas não queria larga-lo por uma incerteza.
Estava indo para o estacionamento deixar uns livros no carro com Camila, quando
eu escutei aquela risada, que só de lembrar me fazia rir por dentro.
Quando virei o lance da escada reparei q ela estava bem na frente da escada
e olhava para mim. Disfarcei e continuei conversando com Camila. Não
sei o que aconteceu, mas em poucos segundos me vi em seus braços. Olhei
em seus olhos. Minha boca secou. O mundo parou.
Notei seus lábios entreabertos, sua respiração ficar descompassada. Ela buscava o beijo com o olhar. E eu o queria. Mas em um segundo de lucidez agradeci por ela ter me segurado e me levantei. Ela tentou agir naturalmente, mas seu nervosismo estava na cara. Fui embora sem esquecer daquele olhar profundo.
Naquele momento tive certeza de que realmente era ela quem mandava tantas gentilezas.
Continua ...
Esculpindo Stela ....28/08/2007
Porra! - o grito ecoou por todas
as salas do ateliê. De repente uns passos e uma voz feminina:
-Já havia ouvido falar "parla", é fato histórico
dentro do mundo das artes, mas um palavrão destes...não consta
em nenhum livro de história da arte! - ela ri do próprio comentário
e pisca para a atônita Stela.
- Oi!!! Meu nome é Lúcia!!! Você é nova neste ateliê,
né?! - ela estende a mão. - Mil desculpas pela brincadeira,
mas teu grito foi tão sonoro e sua cara está tão excitada
que não resisti.
Stela fica olhando por um momento para ela e depois estende a mão automaticamente
e as duas se cumprimentam com dois beijos:
-Eu é quem peço desculpas. Meu grito deve tê-la perturbado.
Meu nome é Stela. Realmente sou nova, mas eu já a vi por aqui,
mas acontece que quando me entrego...
-Eu sei...eu sei! Lembre-se: eu sou artista também. - diz Lúcia
em meio a risos. - Mas qual o motivo do grito?
-Eu estou há um tempão tentando dar vida a uma mera escultura
que represente um cavalo e nada. Se eu não soubesse esculpir...mas
nossa!!!! Faço isto desde que me entendo por gente.
Lúcia olha o trabalho:
-Isto está mais para égua!!!! -Hein? -Isto tem formas femininas!
Você está combatendo tua intuição! Seu interior
quer que você dê vida a uma figura feminina e não a um
cavalo. Veja estas formas! Olhe estas curvas! Sei do que estou falando, eu
já fui assim: não seguia minha intuição! Saía
tudo errado! O barro secava antes, o bronze não ficava no ponto...um
horror! Chegue mais perto que eu vou te mostrar! Stela se aproxima e Lúcia
pega em suas mãos. Uma das mãos de Stela ela passa na escultura
e a outra passa no corpo dela: -Sente? As formas da escultura se ajustam ás
formas do seu corpo.
Stela se espanta. Ela nem havia reparado nisto. "Que vergonha! Eu nem
me dei conta disto! Que burra!"
-Não se recrimine!
-Ué! Estava lendo meu pensamento?
-Você é muito transparente! Há quanto tempo você
não dá um tempo para se cuidar? Ah...não estou dizendo
que você tá acabada...apenas...você parece estar dando
pouco tempo para si. Entende o que digo?
Stela apenas consente com a cabeça. Lúcia a pega pelas mãos
e a leva ao seu ateliê. As duas tomam um chá e Lúcia mostra
seus trabalhos, esculturas nos mais diversos materiais, todas representando
corpos femininos. Stela fica admirada com a qualidade das esculturas.
-Meu Deus!!! Parece que a qualquer momento elas vão se mexer. - tela
toca em algumas e uma estranha sensação toma conta dela. De
repente, sem perceber está passeando lentamente as mãos pelos
corpos, quase acariciando. Lúcia olha tudo com ar de excitação.
Stela chega a suspirar em meio às sensações que o toque
e as curvas lhe causam.
Num dado momento Stela levanta os olhos e percebe o olhar excitado de Lúcia
e fica toda vermelha:
-Desculpe! E-e-eu me empolguei...O toque é realmente...causa uma excitação...as
curvas... - ela olha em volta na tentativa de fugir dos olhos de Lúcia
e vê uma cama. - Posso me deitar um pouco? Acho que estou cansada...
-Pode...eu durmo aí quando preciso dar mais atenção ao
trabalho e não dá para ir em casa. Fique à vontade...
Stela se deita e pouco depois cai no sono enquanto Lúcia começa
a trabalhar.
Algum tempo depois acorda assustada. Olha em volta e nota que já é
noite. Estranha momentaneamente a cama, as luzes, um barulho. Aos poucos vai
ordenando os pensamentos.
-Espero que não tenha sido a responsável por você ter
acordado! - uma voz feminina ecoa entre seus pensamentos. Ela olha em volta
e vê uma moça..."Mas esta não é a Lúcia!"
-Eu me chamo Ana! Eu trabalho em parceria com a Lúcia, às vezes
só me sobra a noite para trabalhar...sou professora... Ana era da altura
de Stela...1,69...um corpo bem delineado...seus cabelos eram lisos e negros...sua
pele era morena...olhos castanhos e usava um perfume delicado mas persistente.
Stela ficou olhando para ela e sentiu algo estranho, ainda não sabia
o que era ou... sabia, mas preferia não aceitar. -Lúcia falou
de você! Quer dizer que gostou das esculturas? Sinal de que nosso esforço
está dando resultados. - ela ri. - Adoro trabalhar com barro...eu me
sinto interagindo com ele. Eu reproduzo nele as sensações do
meu corpo...como se fosse uma brincadeira...um senso de medida...sei lá!
- ela fala e fica mexendo com o barro, dando forma a ele. - Veja! - ela tira
a blusa branca que estava usando e deixa a amostra os seios morenos, firmes
e empinados...muito bem delineados, não muito grandes, com mamilos
que davam vontade de Stela tocar. Stela se surpreendia com esta vontade. Ana
toca com uma das mãos um dos mamilos e com a outra toca na escultura
de barro e, enquanto aperta delicadamente seu mamilo, ela vai dando forma
a outro idêntico na escultura. - É assim que dou vida a elas
todas. Procuro reproduzir o toque. Venha...experimente. Stela se levanta meio
sem jeito, mas ao mesmo tempo curiosa. -Toque! - Ana aponta para o seu mamilo
descoberto. - Pode tocar! Stela toca e no mesmo instante sente um raio percorrer
seu corpo. -Agora toque na escultura e sinta como ela reproduz o mesmo toque.
Mas mantenha a mão no meu mamilo senão você não
vai perceber nada. Quando Stela toca na escultura é como se seu corpo
sofresse uma descarga de alta voltagem, mas ainda assim maravilhosa. A vontade
era de não sair, de não largar, de ficar tocando naquele mamilo,
na escultura...quando dá por si Stela já está tocando
todo o seio de Ana, acariciando e... não resiste...retira a outra mão
da escultura e passa no outro seio de Ana e em seguida já a está
beijando Ana neste instante solta um gemido e diz: -Demorou...demorou muito,
mas chegou aonde eu queria...isto...solte-se! Huuuuummmm! Stela nem estava
ouvindo nada...queria mais...queria aquele corpo...aquela mulher. E as duas
se abraçam e se beijam, suas línguas se tocam com volúpia
e as duas começam a se despir. Stela beija seu pescoço, chupa
seus ombros, enquanto Ana toca os seios de Stela, tão empinados quanto
os dela, mas um pouco maiores e mais arredondados. As duas se tocam e se beijam
por inteiro. As duas vão para a cama. Ana lentamente começa
a beijar Stela desde a boca até o ventre. Depois beija seus seios,
passa a língua em volta deles em espiral até chegar nos mamilos
e chupa com vontade. Stela geme de prazer. Ana olha nos olhos de Stela e solta
um sorriso maroto para ela e, no mesmo instante, passa a mão pelo sexo
aveludado de Stela e os acaricia bem devagar. Stela se sente nos céus.
Aos poucos Ana vai mordiscando o ventre de Stela e descendo a boca até
ao sexo dela, já toda molhada, e começa, lentamente, a lambê-la.Se
contorcendo de prazer Stela esfrega suas pernas no corpo de Ana. A língua
de Ana passeia por dentro e por fora de Ana. Ora Ana passa somente a língua
ora chupa tudo ora enfia os dedos. Stela grita e xinga e fala palavras desconexas.
Ana acelera as lambidas e chupadas até que sente Stela estourar. O
orgasmo dela é forte...intenso...úmido. Não apenas um...vários.
Stela nunca havia sentido aquilo: o prazer...o tremor...o amor. Ana delicia-se
com a cena e com todo o mel produzido e acaricia todo o corpo suado de Stela
e depois ficam se beijando por um longo tempo. Stela acorda assustada. É
noite. Olha para todos os lados e não vê ninguém. Ela
está toda suada. Então percebe caída no chão uma
rosa vermelha e grudada nela um bilhete: "Eu estou em casa...se quiser...
Beijos! Lúcia!" Stela fica atônita, sem saber se tudo havia
ocorrido ou não. De repente ela houve a voz de Joyce cantando Mistérios:
"Um fogo queimou dentro de mim Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar Preciso aprender os mistérios
do fogo Prá te incendiar..." A música enche o lugar e depois
aos poucos vai sumindo. Stela, embora sem saber o que realmente se passou
ali, levanta-se e segue até o endereço que Lúcia escreveu
no bilhete. Sabe-se, segundo contam por aí, que Stela tornou-se uma
grande escultora de formas femininas...sobre Ana e Lúcia...ninguém
nunca as viu ou ouviu falar de qualquer uma delas...
Autor Desconhecido
Os contos aqui postados são reitrados de diversos blogs e sites da internet, Homocontos, feflexgay, atitude...
.....LARA LUNNA - Contos Fabulosos
Na Barca do São Francisco ......Bertha Solares
Yara Ribeiro, Espreguiço-me. ..
Começou com coisa de brincadeira,
eu e Bruna namorávamos a 5 meses. Eu a amava muito e curtia ficar com
ela. Nosso circulo de amizade sempre era o mesmo, claro que quem sabia que
a gente namorava eram nossas amigas mais intimas, entre elas, Camila.
Bruna era muito nervosa e ficava criando caso por qualquer coisa, eu agüentava
a situação como podia, pois não queria perdê-la
e sempre quem tentava apartar as discussões era Camila, e sempre quando
eu saia emburrada, era ela que vinha me consolar e conversar comigo.
Quando Bruna e eu estávamos prestes a fazer 6 meses de namoro, eu estava
em frente a uma loja, pensando em comprar um presente pra ela, nisso vi uma
velha amiga minha, Aninha, que me abraçou e conversava alegremente
comigo. A convidei pra um sorvete, na esquina na da rua.
Meu celular tocou no exato estante em que eu iria pagar a conta.
- Quem é essa garota que tá contigo, Alê?- perguntou,
com voz dura-
- Bru? Ah, é uma amiga. Por que? Onde você tá?- respondi,
olhando em volta.-
- Manda ela embora, que eu quero falar contigo.-
-Onde você tá?!- ela desligou.
Olhei pra Aninha, que se levantava da cadeira.
Bruna virou a esquina e chegou toda ignorante.
- Que palhaçada é essa? No nosso 6 meses? Você não
tem vergonha?!-
- Bruna! Isso não é assunto pra se conversar aqui! Vamos lá
pra casa, por..-
- O que foi? Não sabia? Ela é minha namorada! Acho que era pra
você saber!-
gritou se dirigindo a Aninha-
- Aninha, desculpa...mas eu já vou.- me despedi. puxando Bruna pelo
braço-
Entramos no meu carro e saímos.
- Tava louca? Como armou aquele escândalo por nada?!-
- Nada? Você fica com outra no aniversário de 6 meses da gente
e ainda diz 'nada'?-
- A Ana é uma amiga minha que tem muito tempo que não vejo!
Não estávamos fazendo nada, Bruna!-
- Foi até e chegar!
- Eu nunca falei nada das suas amigas! Por que tu é tão desconfiada?!-
Ela se calou. Eu parei o carro em frente a casa dela.
- Olha.- pausa - Se eu to a 6 meses contigo é porque eu gosto é
de você, tá? De você. Acho uma bobagem você me sufocar
desse jeito! Bruna, presta atenção na besteira!-
- Alexia quer saber? que se dane! - saiu do carro. Sai atrás.
- Volta aqui!...- segurei seu braço - O que tá fazendo?-
- To cheia de você se fazer de boa menina pra cima de mim!-
- Eu?? Bruna! Você me sufoca mais do que tudo, eu agüento tudo
o que você faz! Não ta vendo que eu só quero que a gente
fique numa boa?!-
- Alê...a gente não ta mais dando certo.-
Parei.
- Bruna, eu...
- Na verdade, Alexia...eu acho que encontrei outra pessoa.- disse, olhando
pra baixo-
- O quê? Como assim?!
- Eu...to com outra pessoa. Olha...por favor...não, não.. Não
sei o que dizer.
Empalideci. Meus olhos se encheram de lágrimas.
A olhei fundo nos olhos, com olhar de repreensão. Virei e fui andando
vagarosamente até o carro. Abri a porta e entrei. Arranquei.
Corria muito, graças a Deus o trânsito não estava tão
ruim naquele dia.
Fui pra beira da Praia Olho D´Água...onde alguns meninos e meninas
surfavam. Eu estava sentada, encostada no meu carro, meus cabelos longos e
lisos dançavam junto com o vento. O Sol começava a se pôr.
De repente, ela estava lá...saindo da água e vindo em minah
direção com um sorriso. Espremia a água do cabelo enquanto
andava.
Fiz um esforço pra retornar um sorriso. Enxuguei o rosto.
-Oi, passarinha! Tudo bem?
-Oi, Camila! To..bem! E tu?
Ela me olhou e franziu as sobrancelhas.
- Vocês brigaram...Tá. Me conta.- Disse, sentando-se na areia
ao meu lado.-
- Camila...ela... ela.. terminou comigo! - respondi, chorando.
- Ela não fez isso! Hoje?!-
Eu só olhava pro mar e deixava as lágrimas rolarem.
- Sabe...eu- enxuguei o rosto - eu nem sei por quê. A gente estava bem...até
ela...pô.. Ela tem outra pessoa! Eu errei? O que eu fiz? - chorando
de novo.-
E não parei. Camila colocou minha cabeça repousada sobre seu
ombro, enquanto olhávamos o Sol indo embora.
- Não sei o que vou fazer...
- Eu sei.- segurou minha cabeça - Vai seguir em frente e mostrar pra
Bruna que tu é muito mais do que ela imagina.
- Mas como? Camila, eu não consigo ser nada sem a Bru...
- Pára com isso! - respirou- Vamos ali? Ali no mar!
- Não eu...não quero.
- Ah, Alê...
-Desculpa. Hoje não...Quer carona pra casa? Eu já vou.-
Entrei no carro sem falar nada. Fui dirigindo sem dizer nada, muito séria.
- Alê, toma. Eu ia dar pra ser de vocês duas...mas né.-
disse, tirando um embrulho pequeno da bolsa-
- Obrigada.- agradeci, sorrindo.
- Isso aí. É pra rir. Bom, eu já vou. Qualquer coisa,
tu me liga. Tchau...- se despediu, beijando minha bochecha.-
Cheguei em casa e abri, era um cd. Coloquei no som e deitei no sofá.
Lembro que a música tinha tudo a ver com o momento, apesar em Inglês
eu entendi.
"..Por quê não consigo respirar sempre que penso em você?
Por quê não consigo dormir sempre que falo em você?..."
Adormeci ali mesmo.
E os meus dias não tinham nenhuma atividade fora o 1º período
de faculdade .Meus pais estavam no interior do Maranhão, eu na capital
e o resto da família espalhada, eu não tinha ninguém
pra desabafar, só chegava em casa comia dormia e no dia seguinte ia
pra faculdade.
Algumas vezes fui na praia mas não vi Camila.
Meu aniversário chegou, 2 meses depois do rompimento com Bruna, meus
pais me ligaram, irmãos e tios. Camila também, foi aí
que a chamei pra vir na minha casa, já que eu estava sozinha e precisava
de alguém.
Não demorou muito a chegar, e ainda trouxe uma garrafa de vodka!
- Parabéns..- trincou seu copo no meu- Que esse dia se repita muitas
e muitas vezes!
Rimos e começamos a beber e dançar.
Camila me contara coisas bizarras sobre sua vida sexual e perguntava coisas
sobre a minha também.
Eu.. eu amava a Bruna...amava mesmo. Mas agora que ela se dane com quem ela
tiver!
- Anda, Camila...anda dançar comigo!
No meio dos passos desengonçados de bêbadas, caímos no
sofá, eu cai sobre ela.
Rimos no começo...depois olhei direito para o rosto de Camila, seu
rosto era realmente bonito.
Alguma coisa naquele olhar pedia um beijo, e eu dei.
Demorado e delicado.
Os agarros mais fortes vieram em seguida, passando as mãos sobre as
coxas, costas, cabelos...Quando sua mão chegou ao meu zíper,
eu parei.
- Tem certeza?
Sua resposta foi um beijo. Nos levantamos e caminhando em passos lerdos fomos
parar em cima da minha cama.
A despia com bastante cuidado, desabotoava cada botão, beijava cada
parte de seu belo e bronzeado corpo.
Camila tirou meu jeans muito habilidosa...beijou minhas coxas e mordia minha
orelha devagarinho.
Já nuas, nos tocávamos sedentas. Não violentas, mas precisávamos
daquilo.
Seus seios rijos sobre o meu corpo...seu suor se misturando ao meu...
estava tudo tão perfeito.
Ela estava lá, e eu estava lá.
Nenhuma palavra foi dita, deixamos nossos corpos e mentes decidir por nós.
Seu pescoço era cheiroso, sua boca a cada beijo ficava melhor.
Sua pele morena junta á minha me faziam crer que aquilo era pra ser
meu.
Meu queixo, hora ou outra era mordido suavemente e eu revidava com mordidas
em sua barriguinha.
Ao final, com um bem feito e memorável sexo oral, tivemos nosso orgamos.
Juntas.
E foi lindo, ao mesmo tempo prazeiroso.
Como nunca tive um.
- Alê...
- ..Oi..
- Me beija..
Adormecemos abraçadas e cobertas por um fino lençol...cansadas.
Mas satisfeitas, por tudo.
E depois daquela noite...
Camila aceitou ser minha namorada.
E eu a amo muito.
E eu realmente não consigo respirar ao pensar nela, não consigo
me centrar em nada se ela ri pra mim.
E só consigo dormir porque ela está comigo...
Lenny
Sempre que vou para a balada "MEET", lá está ela. É um “armário” desses de oito portas, bombada, 1,90m descalça, um “panzer” alemão de pura força física. A gente nunca ficou, mas se olha e uma respeita a outra, acho até que uma teme a outra, porque nunca nem nos falamos, sei o seu nome pelas minhas amigas, assim como acho que ela também sabe o meu desta forma. Isso que vou contar aqui é de domínio público, todas as nossas amigas sabem da história, contada por ela mesma... CONTINUA
A Condessa
das Trevas
___________________________________________________
Helena fala...
Costuma-se dizer que a Beatriz morrerá diante de um livro, tomando uma xícara de café e com fácies de depressão. É bem verdade que, quase sempre, adentro sua casa e a encontro diante do computador, com ar de sofrimento, portando um copo cheio de cafeína.
Provavelmente algum escritor famoso deve ter história parecida, o que me levou a ignorar seu comportamento astênico depois de alguns anos. Certo dia, estava no computador da Bia enquanto ela – adivinha? – bebia café, lia algum livro e reclamava da vida. Ignorando os grunhidos da minha querida amiga, olhava com interesse para alguns orkuts desconhecidos, porém próximos socialmente. Eis que a encontrei.
- Bia! Bia! Cala a boca e vem aqui!!!
- Hein?
- Vem logo, idiota!
- O que é? – Bia surge com cara de poucos amigos e cabelos despenteados.
- Olha essa menina aqui... modelo, mora na cidade ao lado. Amiga de alguns
amigos nossos! O que você acha?
As fotos mostravam Ingrid, uma mulher de seus 20-25 anos, magra, aparentemente alta, com cabelos pretos lisos, na altura dos ombros e olhos verdes sensuais. Pele alva, rosto afilado, fotos com roupas de muito bom gosto e algumas fotos de trabalhos que realizara como modelo. Olhamos todas as fotos.
- Putz! Que gata, Hell!
- Olha o scrap que eu deixei pra ela... hehehe – fiz cara de malvada,
torci as sobrancelhas e fiz o ar de “você precisa aprender comigo”,
crente que estava abafando.
O scrap dizia: “Onde você se esconde, querida?”. Não era tão sutil, mas não seria interpretado como uma cantada por terceiros – poderia tratar-se de uma brincadeira entre velhas amigas. Para ela, entretanto, ficaria clara a existência de certo interesse. Esperamos. Fui buscar um copo de coca light na cozinha da Bia e começamos a falar da Kate Bafon, que na época namorava com minha ex e estava tendo um caso bastante público comigo – o velho rebuceteio – e procurávamos uma forma de nos livrarmos da confusão, já que tratava-se da Kate e eu nunca conseguiria dizer um não a uma mulher daquelas. Eis que a Bia me interrompe com uma gargalhada e branda aos quatro ventos:
- Helena! Corra aqui AGORA!
- O quê? O quê? O quê? – Voltei ao quarto imediatamente.
- Ingrid te respondeu!! Hahahahahaha!! – Bia falava, bochechas rosadas
e olhos molhados de tanto rir.
- O que ela disse?
- Hahahahaha... ela... hahahahahahaha... leia! Eu não vou conseguir
falar!
Me aproximei do computador com interesse. Em meio a meus scraps constava a resposta:
Ingrid: “Eu me escondo na minha batcaverna, dirijo um batmóvel, bebo sangue e sou uma vampira!”
- Caraaaa! Que MEDO dessa mulher,
Bia!!
- Hahahahahahaha... arf, arf, arf.... hahahahahahahahaha!! E vc tava se gabando…
hahahaha! Vai lá pegar! Ela vai tomar teu sangue todinho! Hahahahaha!
- Deus me livre! Arf! Ei... o que é isto? Olha o profile dela...
“Bla, bla, bla... sou mefistofélica, diabólica... bla, bla, bla... sangue, vampiros... bla, bla, bla”
- Ok, da próxima vez que
eu for cantar alguém, eu juro que leio o profile antes de ver as fotos.
Bem feito pra mim.
- Agora é tarde, meu amor. Ela te adicionou no MSN.
- Como assim? Beatriz Almeida, você aceitou uma vampira no meu MSN?
- Hahahahahahahahaha! Vamo falar com ela! No mínimo ela deve ser engraçada...
- Ok, ok. Ela tá on?
- Tá.
Conversamos com a Ingrid naquela noite e demos tanta risada com os delírios vampirescos da mesma que precisamos sair do MSN para diminuir a dor na nuca. Era simplesmente a figura mais estranha e mais engraçada que eu e a Bia havíamos conhecido em todos os nossos anos de amizade. Ingrid seria, certamente, assunto de mesa de bar para todo o sempre. A Bia fez o favor de adicioná-la em seu MSN também e as duas ficaram amiguinhas.
Depois que a Ingrid me falou que participava de um culto estranho – uma espécie de seita satânica com nome eufêmico – eu confesso que fiquei com certo medo e a bloqueei do MSN.
Uma semana depois...
(Encostadas no bar, primeiro andar da boate gay)
- Caramba, Bia... tava contando
pro Antônio a história da Ingrid... que louca, cara! O pior é
que o Antônio falou que tava louco pra conhecer. Deus me livre conhecer
essa alma penada um dia...
- Ah, Hell... não fala assim dela. Ela é boazinha. Eu acho que
simpatizei com a loucura dela.
- É a tua cara isso... você sempre gosta do povo estranho. Ai,
se você ficar amiguinha dela, não me leva pra sair junto!
Kate Bafon surge, me dá um beijo e some novamente.
- Ai, Bia... essa mulher é
tão louca que tá me deixando louca junto. Eu preciso me livrar
disso... mas como dizer não a ela?
- Cala a boca, Helena.
- Hmmm... olha, a loirinha de rosa voltou!
- Eeeeeita... vamo lá!
Quando me desencostei do bar, surgiu uma figura desconhecida na minha frente. Ela não andou até onde eu estava, mas se materializou fantasmagoricamente do lado... como se patinasse lateralmente e, subitamente, ocupasse todo o espaço diante de mim. O rosto apareceu de repente, bem próximo ao meu, quase me matando de susto. Dei um passo para trás e senti o balcão do bar. Inclinei o tronco tentando não derrubar a bebida que portava em mãos. O rosto se manifestou:
- Oi... eu sou a Condessa Ingrid,
sua futura namorada.
- Err... hãaa... oi.
Saí em pânico da frente da condessa. Ela me olhou com seus olhos verdes contornados por milhares de camadas de lápis, deu um sorriso maligno e disse:
- Quero ver você me olhar
com essa cara de medo quando estiver perdidamente apaixonada por mim.
- Hehehehe... errr.... as... bom, eu.... err... eu tenho que ir ali. A bebida,
vou comprar bebida.
Saí com um copo cheio de álcool sob o pretexto de comprar outro, paguei a conta e saí da boate em pânico. No caminho da porta, vi Kate beijando um gay – sim, o mundo está perdido – enquanto váarias pessoas tentavam entrar no meio dos dois (é Kate, a gente sempre espera essas coisas). Dei-lhe um beijo de longe e me despedi.
Antônio amou a Condessa Ingrid (que se apresentou sozinha a ele) e nos contou, nos dias seguintes, que a noite terminou com Kate Bafon beijando Antônio, o cara com quem a vi na saída e a condessa. Que medo da Kate. Por um lado foi bom, depois disso eu definitivamente tive a motivação necessária para fugir dela sempre que a encontrava. Quem sabia se ela não havia sido mordida pela Condessa e virara vampira também?
Alguns meses se passaram e comecei um internato pesadíssimo (cirurgia geral). A Bia começou a sair algumas vezes sem mim. Certo dia, me telefona para contar como foi a rave de um DJ mundialmente famoso, ocorrida no dia anterior. Nos encontramos e ela narrou toda a história, tintim por tintim... exceto um mero detalhe: a presença da condessa. Felizmente, nestas horas há sempre Antônio, que dá com a língua entre os dentes sem querer toda santa vez. Na mesa de sexta-feira, ele solta assim que chega:
- Madame das Trevas! Como vai você? – pergunta sorridente, olhando para a Bia.
Bia me olha com desespero, eu aperto os olhos com malícia e pergunto:
- Por que das trevas, Antônio?
- Ela não te contou? Hahahahahahaha
A mesa toda se anima para ouvir a narrativa de Antônio.
- Ela foi para a rave da semana
passada e encontrou a Condessa Ingrid! Você não sabe?
- Nãaaaaaaao! Me conte!!
- Antônio! PARE! – suplicava Bia.
- Aparentemente, deram alguma coisa pra Madame aí... ela tava louca,
beijou a Isabela e a Condessa! Ao mesmo tempo, separadamente, de todas as
formas que você imaginar e em todas as ordens!
A esta altura, a Bia já se escondia atrás das próprias mãos. O pouco que se via de seu rosto parecia mergulhado em blush de tão vermelho.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! Sua
cachorra! Você me contou a história da rave toda e escondeu o
detalhe mais importante? Que MEDOOO!! Você vai virar vampira!
- ÊÊÊÊ!! Bia imortal!!! – todos em coro.
- Parem! – ela suplicava
As brincadeiras duraram horas. Falamos sobre quantas mulheres a Bia poderia aqüendar, agora que ela era imortal. Perguntamos qual era a sensação de saber que a pele estaria sempre linda e sem rugas, se virar imortal doía, se ela saía à luz do dia sem virar pó. Perguntávamos se, caso ela fosse morcego, transmitiria doenças. Se ela falava com os mortos, via fantasmas. Perguntamos se havia alguma sociedade secreta dos vampiros – e, se houvesse, se ela participaria. Brincávamos com o crucifixo no meu pescoço, pediram alho na cozinha. Todos riam descontroladamente. Alguém olhava o pescoço da Bia procurando pelos furinhos da mordida imortal e, para o desespero total da minha melhor amiga, encontraram uma marca roxa. Aí virou baderna.
- Hahahahahahahaha!!!
- É alergia!!!!!!! – Bia implorava compreensão
- HAHAHAHAHA! – risada em grupo
Antônio chorava de rir e tentava juntar ar nos pulmões para continuar falando.
- Calma, gente... tem mais. Desta
parte nem ela sabe ainda.
- Fala! Diz! O quê? – uma confusão de vozes entre gargalhadas
- A Condessa me ligou ontem e me disse que precisava sair novamente com a
Bia, porque foi o melhor beijo que ela já provou! Considerando que
ela é imortal, a vida dela deve ter sido bem longa até agora,
né?
Depois disto, eu juro como até eu tive pena da Bia.
Foi a noite mais divertida do ano, e até a própria Bia estava rindo de sua desgraça (eu já sofri bastante na mão dos incorrigíveis, o jeito é rir mesmo).
- AÊÊÊÊÊÊÊÊêêêêêêêê,
Bia!!! Imortal Hein?!
- Condessa das Trevas!
- Um brinde à Condessa das Trevas! Que ela nos torne imortais também!
- Ooooooooooooohhhh!!
- Salve a condessa!
- Hahahahahahahaha!
- Bia, você poderia virar super-heroína agora que você
tem poderes! Já pensou?!
- Bia, me ensina a beijar?
- Aêeee! Um brinde à Bia, o melhor beijo da eternidade!!!
Sentava-se sobre as pedras a espera de um sinal, apenas um sinal. O sol a
envolvia, o mar molhava seus pés, e as ondas como que os beijavam.
Helena respirava a brisa como se fosse a última vez que aquele aroma
extaseante pelo seu interior. Ela fitava por horas o horizonte, contemplando
o limite improvável entre o céu e o mar, observando e invejando
as aves que planavam beirando as ondas.
A ilha não era muito grande, de um lado Brasília, do outro Encantado
era praia do Farol, a gruta, o Forte e no alto monte, as três cruzes
que pareciam conversar entre si sobre a trágica partida de Íris
há aproximadamente dois anos. Era na praia do Farol que Helena dava
asas a sua imaginação, lá trabalhava em suas esculturas
de areia. Helena estava trabalhando em uma escultura especial fazia três
dias, acreditava que mais três dias aproximadamente e estaria pronta,
batizou-a desde o princípio de Ártemis. Ela queria-a perfeita,
Ártemis tinha os contornos bem delineados, rosto, braços e pernas,
era expressão da paixão de Helena.
Helena deixava delicadamente seus dedos deslizarem pela areia que utilizava
para realizar seu desejo mais intrínseco, o impossível retorno
de Íris. Na tarde do sexto dia, Helena havia terminado sua escultura.
Olhou para Ártemis e pronunciou com êxito – Só lhe
falta vida!!!-, então Helena deitou-se ao lado de sua escultura, pois
se sentia cansada, e passava seus dedos sobre os contornos dos lábios
e ia descendo seus dedos pelos braços da escultura, assim escorregando
lentamente sua mão pela mão de Ártemis. Em seguida, adormecerá.
Horas depois Helena despertará, pois sentia frio, observará
que estava anoitecendo. Olhou e sentirá falta de sua escultura, formou-se
no local um vazio, era como se alguém a houvesse recortado. Ouviu alguém
lhe chamar, na direção da praia.
- Eu, ainda, estava sonolenta e olhei aquela sombra saindo da água,
e chamava pelo meu nome com tanta intimidade. A luminosidade era pouca somente
as luzes, da lua e do farol. Levantei e fui para a beira do mar e ela caminhava
lentamente ao meu encontro. E quanto mais me aproximava dela via uma familiaridade
de traços, seus olhos eram claros como o céu, seus cabelos escuros
como o mar noite a dentro e sua pele clara que o brilho da lua só fazia
reforçar. Perguntei seu nome e ela selou o silêncio entre nós,
passando seus dedos sobre meus lábios e repentinamente beijando-me,
com tanta ansiedade como quem suplica o último suspiro. Ela deixava
lentamente sua perna deslizar entre as minhas aquecendo-se, então a
abracei e sem pronunciar uma palavra sequer, ela conduzia-me por aquela areia
despindo-me. Quando então percebi, ela estava sobre mim, e seus lábios
sugavam os meus, minha alma como se desprendia de meu corpo, e suas mãos
percorriam meu corpo com tamanha doçura e instantes depois já
a sentia me penetrar. Percebi que meus gemidos a excitavam, ainda mais, e
eu estava tão extasiada com aquele momento que acabei adormecendo em
seus braços.
Helena acordará com o sol sobre seus olhos. Assustada, se vestiu rapidamente
e lembrava-se de tudo que ocorrerá, então correu em direção
a escultura, o lugar permanecia
vazio apenas uma inscrição :” eternamente sua, Ártemis!!!”
Autora - Danielle Braun
Yara Ribeiro, Espreguiço-me...
A distendida muscular
faz com que um leve arrepio percorra meu corpo. Detenho a sensação
ficando toda estirada. Com a mão percorro lateralmente junto ao meu
corpo, sinto você ainda aqui!
Abro lentamente meus olhos e na penumbra do quarto diviso ainda seu vulto
revestido pelos lençóis, odorizando meus instintos recém
despertos. Corpo macio, volível...
A luz esgazeada vinda da manhã que resplandece lá fora, não
toca minha quimera.
Meu corpo contorcido sobre a cama, permite que minhas mãos me embrulhem
e como num abraço me ponho em ninho, trazendo a sua imagem junto a
mim. Meus seios tocam suas costas. Seus cabelos cheirosos em desalinho tocam
meu rosto e eu aspiro o perfume deixando livre minhas fantasias...
Esquadrinho seu dorso. Suas mãos em concha, acomodadas sob seu rosto.
Sinto, vejo, a marotice em seu semblante.
Estico minhas pernas levando as suas juntamente. Meus pés passeiam
sobre os seus subindo até seus joelhos. Ainda a imobilidade "move"
seu corpo. No rosto apenas um ríctus, eu sei.
Seus quadris resolvem forçar meu ventre. Seu riso truncado desaparece
do seu rosto lindo, deixando audíveis em meus ouvidos um gemido abafado,
quase imperceptível.
Metodicamente vago minha mão por seu ventre, que arrepiado cede as
minhas carícias, trazendo para mim sua boca na virada do seu corpo,
acabando por vez com a sua falsa resistência...
Nesse êxtase imaginário, meu corpo vibra navegando nas linhas
mentais enleadas, impostas por mim mesma na voluptuosidade das cenas que plasmo
para o meu deleite.
Fico em tal estado de tensão... Sinto a energia fluindo do seu corpo
hipotético.
Sorvo sua saliva seduzindo sua língua, sugando seu fôlego! Usufruindo
a maciez e calor dessa boca esfomeada que se entrega aos meus caprichos. Afasto-me
e perdida fico em sua boca entreaberta rogando por mais...Salpico por todo
o seu rosto, beijos ternos. Seus olhos fechados tremem ao contato de meus
lábios. Sua cabeça pende frouxa em minhas mãos, enredadas
em seus cabelos. Busco com meus lábios no seu pescoço, a fatal
servidão dos seus seios assanhados que langue você me deixa colhê-los
em minhas mãos, feito frutos entumecidos e maduros.
Meu corpo e mente ardem na faina imaginária de tê-la. Em estado
vibrátil, febril, demente por sobre seu corpo inexistente verto beijos
demorados, escorregadios sentindo sua pele arrepiada, seu ventre enrijado,
seus quadris ameaçando um remedo de oposição à
minha boca que mordisca arranhando sua pele morena , cheirosa que me estimula
ainda mais.
Delirando sobre a hipótese desse momento, busco suas coxas que comprimidas
impedem minhas carícias. Vou abrindo caminho sofregamente com meus
lábios, deslizando minha boca estremecendo seus quadris. Minhas mãos
nervosas provocam gemidos roucos tocando com firmeza calculada seus seios.
Sob o peso dos meus afagos, seu corpo contorce levantando seu quadril, abrindo
sem pudor suas pernas oferecendo o fogo que consome suas entranhas!
Minha imaginação toma rumos alucinantes. Agarro o lençol
amarfanhado e fecho meus pulsos sentindo a pressão sangüínea
ditar o ritmo da minha respiração.
Viro-me de costas, deixo que minhas mãos tomem os rumo do meu sexo!
Massageio lentamente sentindo toca-la... Pressiono meu corpo sob os lençóis
sentindo o calor que seu corpo deixou na nossa cama. Afundo a cabeça
no colchão como se assim desaparecesse no meio de suas coxas. O cheiro
doce do seu sexo impregna meu olfato. Aumenta minha fome. Abala meus sentidos!
Procuro ávida saciar minha sede na fantasia desse corpo que se abre
e me recebe!
Meus dedos ágeis estimulando-me com cadenciado ritmo, aflora toda a
cena da noite anterior.
Seu corpo a meu bel prazer. Suas palavras voltam aos meus ouvidos, suas mãos
puxando com suavidade meus cabelos, seus quadris enrijecidos , convulsões
...languidez...relaxamento dos seus músculos, dos meus!
Suor que assoma em minha testa... boca que sente o frio da sua ausência.
Sorte, acaso, destino. 15/11/2007
Os olhos dela diziam
tudo. Tudo o que eu queria saber. Era dona do
corpo mais perfeito que se viu, bem longe do estético de hoje em
dia. Era perfeito pro ambiente, pra abrigar tanta força, pro que
eu desejava. Perfeito pra ser guiado por aqueles olhos que tomavam
conta da minha cabeça e do meu coração. O encaixe perfeito
do
corpo perfeito, aquela não-materia, em meus braços, em meus
anseios.
Ha muito eu observava, reservada, aquilo tudo. E por não me
apaixonar facilmente, duvidava. Não era fácil entender como
alguém
poderia surgir assim, do nada, como o fruto da imaginação de
alguém e de maneira tão...Inexplicavelmente estonteante. Mas
ela
chegou e, de cara, acabou com a minha pose de menina dura e muito
bem resolvida. Um sorriso e eu já não era mais nada. Meses se
passaram...E onde está a coragem?...Ela não era pra mim, não
poderia, era tanto, era muito. Bastou vê-la mais uma vez. Outra
vez, na Lapa, clareando o lugar, que ainda vazio, se preencheu
daquela figura, das suas formas e movimentos que pareciam mesmo
ensaiados...Para mim, ela dançava.
Algumas cervejas baratas me encorajavam do peito pra cima, minhas
pernas, melhor, o corpo todo bambo, verdadeiro retardatário, quase
me impedindo de prosseguir. Mas eu tinha um plano. Iria olha-la
com cara de apaixonada, única maneira com que conseguiria
encara-la. Iria dizer que ela não precisava fazer mais nada além
de sorrir...E era mesmo o que me bastava...era o limite da sorte,
pra mim...estaria dentro dela e mais seria inalcançável ...Mas
talvez, num sobressalto, eu pedisse pra segurar suas mãos...sentir
o peso e o cheiro...Aproxima-las , devagar do meu rosto em carne
viva.
Passos lentos, pulso mais que acelerado..tudo acompanhado pelo
frio na barriga mais maravilhoso que já senti, daqueles que voltam
quando anos depois a gente recorre a memória pra ser mais feliz. E
eu poderia...pois estava, de fato, apaixonada.
Não causei surpresa quando a chamei pelo nome e, logo, pedi meu
único pedido, expus o meu plano e ela sorriu sem pudor. Quando
peguei suas mãos, ela ainda sorria e eu nem sabia pra onde olhar.
Queria gritar...me afastar da cena pra vê-la por inteiro e ao
mesmo tempo, me aproximar cada vez mais e fechar os olhos...
Fechei-os e beijei suas mãos e o cheiro era leve, aquela figura
era leve, ela flutuava, sua beleza era um fluxo que me tomava e
(agradecendo aos Deuses) pensava: "como são lindas as mulheres
leves do mundo".
Meu plano teve fim e eu ali, na necessidade iminente de fazer algo
e na condição de não conseguir pensar. Mas, por acaso,
ela tinha
planos pra mim. Sem largar a minha mão me guiou sem pressa pra
casa. Levou-me pra flutuar com ela. E, eu, de mulher pesada, me
senti liberada de tudo, de todas as dúvidas, das dores cravadas em
minhas costas. Eu pairava, sem reflexo, relaxada, sem zelo algum.
Ela soltou minha mão pra pegar a chave e abrir a porta, abaixou a
cabeça e eu vi o desenho perfeito do cair dos seus
cabelos...cabelos curtos e quase pretos. Ela, num cortejo apos
abrir a porta, me puxou pra dentro...pra dentro da casa, do
quarto, dentro das suas mãos, seus cabelos, pêlos, suas pernas...e
eu na ânsia de entrar rapidamente no seu peito. O meu estava
escancarado, invadido, despido, louco, desesperado, mas
resignadamente feliz por ter sido derrotado. Seu olhar me acalmava
e eu a tocava como quem toca numa peça rara, numa descoberta
inesperada, mas ha tempos, desejada. Eu devagar conhecia corpo e
alma de quem me tocara como nunca antes, desde o primeiro dia. E
amei com cuidado cada parte nua do corpo mais perfeito que se
vira. E matei a sede que já me matava e só eu sabia. E aquele
beijo, aquele gosto, a boca, seu cheiro, o gozo, aquilo tudo, eram
música, dança e poesia.
Felizes aqueles que, em momentos impares de entrega, sentem que
não mais se pertencem. E sem medo vivem em tempo presente.
Cris
Paciente
Assim que ela entrou no meu consultório percebi que ela significava
uma coisa: ¿encrenca¿!
Morena como uma índia! De onde eu estava podia perceber que como as
índias, também ela não tinha problemas com pelos já
que sua pele era bem lisa, como se pedisse para ser acariciada.
Os cabelos negros e muito lisos caiam sobre as orelhas num ¿channel¿
bem cortado, e no momento em que sentou-se parte dele caiu-lhe gentilmente
sobre o olho esquerdo.
Imediatamente também reparei nos ombros muito delgados, moreníssimos,
expostos por uma camiseta regata de linha, cor de caramelo, que demonstravam
que ela não era chegada a esportes...mas também nem precisava!
Estava metida num jeans não muito apertado, apenas o suficiente para
me fazer imaginar coisas. Podia ver suas pernas longas dando passos em direção
ao sofá. Assim que se sentou, meteu uma perna por cima da outra, deixando-me
ver dois pés muito delgados aconchegados num par de sandálias
baixas que combinavam com a cor da blusa.
Depois de tirar o cabelo dos olhos, me encarou com um olhar por demais confiante...mas
isso eu sabia, era defesa...ninguém que entre num consultório
de uma terapeuta pode estar assim tão confiante...mas permiti que ela
lançasse aquele olhar para que se sentisse mais calma.
Deixei que caísse o silêncio entre nós...apenas para ver
até onde ia aquela confiança toda. Antes do primeiro minuto,
quando ela já ia mudar de posição incomodada com aquilo
tudo, eu a cumprimentei.
Foi falando devagar por que estava ali, o que desejava, como tinha chegado
até mim, eu respondi o de praxe, disse como seria o tratamento, quanto
seria e o que desejava dela. Nesta parte, hoje posso dizer que não
fui totalmente sincera...mas não podia dizer mais.
Ela ficou de voltar, caso resolvesse mesmo iniciar o tratamento na outra semana,
e acabou não vindo e eu a esqueci...como quem esquece uma mulher gostosa
que vê passar numa esquina qualquer.
Dois meses depois, numa noite no meio da semana fui até um restaurante
para jantar com uns amigos que não via há algum tempo. Quando
me aproximei da mesa, vi que uma das pessoas era ela e meu radar apitou: ¿encrenca¿!
Fomos apresentadas e fiquei sabendo que ela era uma ¿paquera¿
de um conhecido meu. Sentei-me no único lugar vago da mesa, junto da
parede, lugar apertado por sinal...e ela pediu pra trocar de lugar e sentou-se
ao meu lado.
Pra mim o jantar foi uma tortura!! Eu não a conhecia direito, mas o
que vi me agradava por demais. Ela me parecia perigosa porque jogava com sedução,
e jogava bem.
No início relutei em crer, mas as pernas dela tocavam as minhas de
leve, e vez por outra ela apoiava o cotovelo na minha coxa, numa intimidade
que não havia. Os ombros estavam nus mais uma vez e ela os balançava
de um lado para outros, entre mim e o ¿ficante¿ sortudo.
Gostaria de pensar que tudo era por causa do aperto da mesa, e resolvi jogar
para ter certeza. Não tendo onde alojar meus braços, abri o
braço esquerdo (do lado em que ela estava) e passei por trás
da cadeira dela apoiando a mão sobre o espaldar da mesma. Esperei um
pouco e casualmente passei meus dedos sobre suas costas, confirmando tudo
o que eu tinha imaginado quando ela tinha ido me ver no consultório.
Quentes e macias!
Ela pareceu não se incomodar e continuei fazendo isso de vez em quando.
Delícia!
Já não dava para prestar muita atenção na conversa,
e foi ai que surgiu um assunto qualquer sobre alguém, que de forma
sigilosa foi sendo passado de ouvido em ouvido até chegar a ela.
Inclinei-me sobre ela e ofereci meu ouvido para o segredo. Foi então
que ela sussurrou:
- Delícia poder falar no teu ouvido, mas eu queria era gemer pra você...me
tira daqui!!
Sorri como quem ri de uma coisa engraçada e fiz cara para os demais
à mesa de que tinha entendido tudo, embora continuasse sem saber do
que se tratava.
Dali a cinco minutos fingi que passava mal, ela foi muito solícita
e disse que me levaria em casa e, embora meu carro estivesse na porta do restaurante
e eu sempre fosse muito independente, aceitei a oferta na hora.
Não falamos muita coisa entre o restaurante e meu consultório...sim,
lá mesmo, porque fôra pedido dela. Acho que nem demoramos muito
para cruzar a cidade, e nesse meio tempo eu fiquei com a mão enroscada
nos seus cabelos, acariciando sua nuca, enquanto ela sorria e dirigia até
a zona sul.
Cumprimentamos o porteiro e subimos. No elevador pensei em me aproximar dela,
mas ela apontou para a câmera de vídeo no alto, sorriu e pediu
um pouco mais de paciência. Agüentei.
Assim que entramos, ela lançou-se sobre mim, com uma boa quente e delicadamente
perfumada a vinho. Beijei-a com sede e fome, respirando fundo para apreciar
o perfume amaciado que vinha de seu rosto. Adorei o beijo, era firme, podia
sentir sua língua decidida passeando sobre meus dentes e revirando
a minha própria língua. Excelente cartão de visitas!
Enquanto isso, tive plena consciência de seus braços cruzados
sobre minha nuca, repousados sobre meus ombros como os braços de uma
mulher por sobre seu homem, e confesso que isso mexeu com minhas fantasias!
Desci as mãos até sua cintura e levantei suavemente sua blusa
para poder aproveitar suas costas do alto a baixo...ela riu dentro da minha
boca e disse que isso a tinha provocado no restaurante.
- Na verdade quero te provocar agora!!
Minha mãos fizeram a volta na altura das suas costelas e alcançara
seus seios. Com os polegares massageei seus mamilos enquanto ela lançava
a cabeça para trás como quem se oferece ainda mais. Senti que
endureciam cada vez mais, e essa sensação de poder me umedeceu.
Ela desfez seu abraço e levou as mãos até as calças
que começaram a ser abertas e arriadas junto com a calcinha, num movimento
lento. Em nenhum momento ela me desviou o olhar, e na verdade era eu que ficava
constrangida de não conseguir tirar os olhos dela, nem quando ela tirava
a roupa.
Assim que se livrou das calças, praticamente arrancou a blusa...e como
não usava soutien, não havia mais nada para ser tirado. Foi
ela que me despiu, da mesma forma lenta e sem desviar os olhos de mim.
- Você tem um olhar de puta!
- Demorou a perceber doutora!
Ela parecia irradiar um cheiro quente e doce por todo consultório,
que me pareceu ainda mais vívido quando me deitei por cima dela enquanto
a penetrava docemente. Coloquei meu ouvido na sua boa para que cumprisse sua
promessa, e ela gemeu deliciosamente, como apenas as mulheres sabem fazer.
Quando mais ela gemia e dizia coisas no meu ouvido mais eu me excitava, e
com a sensação de estar dentro dela, não demorou muito
para que eu gozasse enquanto me esfregava em suas coxas.
Mesmo me derramando nela, não deixei que ela gozasse naquele momento
e retardei um pouco mais seu prazer, até que ela implorou que não
a torturasse mais...seu gozo veio como num jorro, molhando o início
de suas coxas e me lambuzando deliciosamente a mão. Nesse mesmo momento
abraçou-se comigo e lançou seu corpo num arco para cima, como
se fossemos voar...e foi quase assim.
Nos jogamos um pouco para o lado para respirarmos e deixar secar o suor dos
nossos corpos. Foi quando ela me chamou e disse algo em meu ouvido e começamos
tudo de novo.
Eu sabia que estava irremediavelmente apaixonada e que tinha perdido uma paciente
em potencial.
Helena