DESABAFO
ESTA MENSAGEM É DE UM ACADÊMICO
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ,EM
> CURITIBA QUE TEVE VÁRIOS DE SEUS DIREITOS VIOLADOS NA UNIVERSIDADE
POR CONTA
> DE SUA IDENTIDADE DE GÊNERO. ANDRÉ É TRANSEXUAL E ESTÁ
MATRICULADO NO CURSO
> DE CIÊNCIAS SOCIAIS, POR TER SIDO APROVADO NO VESTIBULAR, ASSIM COMO
QUALQUER
> OUTRO ALUNO. POR IRONIA, ESTUDA NO DEPARTAMENTO QUE MAIS DISCUTE GÊNERO
> NAQUELA INSTITUIÇÃO.
>
> "Estou aqui para contar a vcs que hj estou muito triste. Ha alguns
meses eu
> e
> minha amiga Dorothy, uma mulher transexual, estamos sem nossas bolsas
> permanencia na UFPR, beneficio concedido a alunos com dificuldades
> financeiras para manterem-se estudando. Como a situaçao nao se resolvia,
> fomos ao Ministerio Publico e abrimos uma denuncia contra a UFPR.
> Pois ontem voltamos ao MP para verificar o resultado e la recebi um
> comunicado do procurador da Republica no qual a situaçao se inverte,
e a
> partir de agora, eu terei que provar "objetivamente" fatos discriminatorios
> em relaçao a minha "opcão sexual" (grifos meus
mas que se localizam no
> oficio do procurador).
> Tal fato me entristece tanto, pois a UFPR no seu documento alega que buscou
> locais mais "excentricos" para nos enviar para cumprirmos nossas
horas no
> programa bolsa permanencia, e que o meu supervisor percebeu minha "condição
> especial", minha "sexualidade aparente" etc. A minha colega,
foi dito que
> ela havia se colocado como "homossexual" e que havia pedido "autorizaçao"
> para usar roupas femininas. Sequer o procurador percebeu que homossexuais
se
> travestem. Minha amiga é uma transexual, e nossa denuncia era fundamentada
> em diversos acontecimentos discriminatorios em relaçao nao a nossa
> orientação sexual (a minha é hetero, a dela é
bi)mas em relaçao a nossa
> identidade de genero.
> Fomos desrespeitados em nossa alteridade, e o pior, o tempo todo o documento
> se referia a mim como "a academica, senhora, senhorita" e a minha
colega
> como "o academico, senhor" etc. O procurador nem percebeu que
em momento
> algum fomos reconhecidos em nosso genero identificado, apenas no genero
> imposto e que isto por si so, torna-se uma evidencia de que somos
> preconceituados e discriminados.
> A mim que fui colocado como "condiçao especial", fui desrespeitado
ao
> limite, perdi entao a sanidade mental, e mesmo a UFPR alegando nosso baixo
> IRA (indice de rendimento academico), o meu so foi apontado no semestre
> passado, em que por me ter sido negado atendimento no HC (hospital
> conveniado com a UFPR) em virtude de um grave caso de hipertireoidismo,
nao
> pude frequentar as aulas, e meu desempenho nao foi tao bom quanto nos outros
> semestres em que meu IRA chegou a ser o maior do curso. Mas nada disso
> importa, quando se trata de legalizar uma "assepsia" nos ambientes
> estudantis, locais nao destinados a seres abjetos, aos diferentes.
> Perdemos nossa dignidade, nossa condiçao humana. Somos "expurgados"
do
> ambiente universitario, e com o total aval de um orgao que deveria zelar
> pelos direitos dos cidadaos.
> Semana que vem irei participar do Fazendo Genero, maior evento academico
em
> genero da America Latina, e la estarei em contato com grandes pesquisadores,
> como a prof. Berenice Bento, pessoa comprometida com os direitos humanos
> dos/das transexuais, e tantos outros e para la levarei nossa queixa e um
> pedido de auxilio em nossa luta para que sejamos tratados apenas como somos,
> academicos da UFPR, sem mais ou menos direitos apenas por tambem sermos
> transexuais, e com orgulho!
> Obrigado e desculpem o desabafo."
>
> André Lucas Guerreiro.
>