
Victória
Alada: romance policial de autoria feminina, com personagem lésbica.
O romance Victória Alada, de Lara Lunna, trilha por espaços
na maioria das vezes fechados para o universo feminino. È um romance
de aventura policial, gênero predominantemente masculino, na tradição
brasileira, e traz como personagem principal uma jovem policial lésbica.
A leitura desse romance acontece como se junto ao texto, estivéssemos
vendo um filme de suspense.
Glória Azevedo, doutoranda em letras e uma das organizadoras do livro,
diz: "Lara desenvolveu um estilo narrativo tenso, suas personagens vivem
no limiar entre o perigo da morte e a luta pela sobrevivência. A literatura
dela, de forma delicada, cria personagens fortes que transitam num espaço
feito para homens: delegacias, secretos departamentos de investigação,
assassinatos, perseguições, quadrilhas. Ela faz do desejo lesbiano
não o tema principal, e sim o apresenta de forma natural, sem essencialização
ou sem se resumir a meros relatos sexuais como era tão comum em narrativas
dessa temática."
Para Lúcia Facco, autora de "As Heroínas saem do Armário"
e do livro de contos "Lado B", "o livro traz uma verdadeira
história de ação. A autora já havia ensaiado uma
saída do espaço virtual quando publicou um conto na coletânea"Elas
Contam", publicada no ano passado. Desta vez, Lara Lunna traz junto consigo
a sua personagem mais querida pelo público. Victória Di Angelis
é, definitivamente, o avesso das personagens femininas dos livros cor-de-rosa
escritos para moças bem comportadas. Victória Alada é
um livro para todos que gostam de aventuras e que gostariam de conhecer, ou
mesmo ser, uma mulher como Vick, charmosa,livre, corajosa."
Publicado pela editora Corações e Mentes, o livro encontra-se
nas livrarias e pode ser adquirido ainda pelo site http://victoriaalada.vilabol.uol.com.br.
Terá lançamento em São Paulo no próximo dia 20
de outubro, às 20 horas, na Livraria Arsenal do Livro:rua Matias Aires,
78 (travessa da rua Augusta, próxima ao Espaço Unibanco de Cinema).
SERVIÇO:
Victória Alada – romance policial
R$ 33,00
237 p
Editora Corações e Mentes
Venda pelo sitehttp://victoriaalada.vilabol.uol.com.br
ou em livrarias
Lançamento em São Paulo:
20/10/2007, às 20 horas, na Livraria Arsenal do Livro – rua Matias
Aires, 78
“Considerações
sobre sexo, amor e homossexualidade”
Eu ainda não me acostumei com a palavra “opção
sexual”. Vezes a ouço e nem penso que o assunto é comigo.
No meu caso particular, sinto que não fiz qualquer opção.
Não me lembro quando na minha vida peguei um formulário e tracei
um “x” no item: mulheres. Simbolicamente pode ter acontecido quando,
diferente das minhas irmãs que espichavam os olhos para os rapazes,
eu apreciava o cheiro, a pele, os cabelos e tudo mais das meninas ao redor.
Hoje orientação.
Na idade média, os canhotos - denominados “sinistros” - eram tidos como pessoas que já nasciam com a índole para o mal. Hoje sabemos que canhotos nascem simplesmente, canhotos. Temos exemplos maravilhosos entre eles, tais como a Angelina Jolie e a Milla Jovovich, às quais considero monumentos à perfeição feminina.
Vezes o “click” ocorre cedo. Outras vezes, perto do fim do passeio, mas deve ser este “click” que alguns denominam “opção”. Talvez. Como disse acima, na minha experiência, o estalo da compreensão ocorreu quando, aos quinze anos, me encontrei apaixonada pela minha melhor amiga.
Vou tentar expor o que penso sem fazer afirmações
absolutas, mas há um rol de coisas que não consigo compreender.
Por exemplo, não compreendo o furor de algumas mães que entram
em pânico por que o filho ou a filha não lhe darão netos
e outros derivados. Ora vejam, a determinação “crescei
e multiplicai” para povoar a terra já caiu em desuso no milênio
passado. Estamos com mais de seis bilhões de pessoas no planeta.
Por outro lado há a facção dos “não histéricos” que assistem ao “fenômeno” com ar instruído e dizem: Né-nada-não! Certos de que o “surto” logo passará como brotoeja em bumbum de bebê. Mas, imaginem só, mulher com mulher? Não dá encaixe, ou seja, não há “conjunção carnal” e então não é “cópula”. Logo - segundo a Santa Inquisição no Brasil imperial - não há sexo. E sem sexo, não há pecado, sem pecado, não há de se botar na fogueira para expurgar. E por fim, sem fogueira o mulherio daquela época - uêba - se esbaldaram.
Engraçada a reação dos meus pais anos atrás. Não que eu tenha entrado em casa e dito: pai e mãe, da minha parte vocês só terão nora. Não. Sou do tipo discreto que não gosto de rótulo, plaqueta no pescoço e tampouco interferência na minha intimidade.
Enfim, uma hora a ficha deles caiu e a reação, mesmo que discreta, foi engraçada. Meu pai agiu com tranqüilidade, chegando até a afirmar que achava bonito duas mulheres juntas, mas barbado com barbado, que “treco” estranho. No caso da minha mãe, precisa só eu botar o pé em sua casa para ela perguntar: e então, e o namorado? E o casamento? Olha só. E pior. Ela, evangélica convicta, não pode ouvir notícia de que eu lasquei uma unha e já fica aflita. Acho que tem medo de que eu morra sem me converter e vá pro “céu da boca da onça”.
Dia desses, entrei na livraria procurando o livro que
descreve as onze facetas da sexualidade humana e acabei saindo com o “Kama-sutra
para mulheres” debaixo do braço. Talvez seja porque em matéria
de sexo, prefiro mais o que posso por em prática do que teorizar.
Da minha parte, penso que sexo é bom, faz o corpo se aquecer, acende
a luz dos olhos e estabelece laços de intimidade entre as pessoas.
Já o amor é uma benção, e talvez seja por isso
que não consigo compreender o preconceito de alguns contra aqueles
que se distinguem do grupo pela prática do sexo e o amor entre iguais.
Para mim, o amor é o principal dom que há em seres complexos
como nós, humanos.
É desastroso quando o elo que unem pessoas é o ódio. Ressalto que o ódio não é derivado do amor, como o vinagre deriva do vinho. Penso que o ódio é como o chumbo no qual não há alquimia que preste para transformá-lo em ouro.
Às vezes, solto a imaginação e avisto pais e mães correndo pela rua, bradando: Socorro, socorro, meu filho ama alguém! Ou então, visualizo um tribunal onde estou sentada no banco dos réus e o promotor aponta para mim e diz: Meritíssimo, a ré é culpada por amar Maria das Dores e...blá, blá, blá.
Seria bom se a “banda de lá” - como gosto de chamar - não fosse tão preocupada com quem a “banda de cá” está saindo, o que praticam entre quatro paredes e outras coisinhas.
Há os que – com a mente na idade média - classificam a homossexualidade como aberração da natureza. Contesto. Vide o dicionário que define aberração como anomalia, defeito e distorção. Em uma aberração não há harmonia e apenas seres harmônicos são aptos para sentir e compartilhar o amor.
Para mim, um exemplo de aberração é aquele sociopata que investido de poder pelo povo, é capaz de desviar a verba da merenda escolar para seu bolso. Falta-lhe a capacidade para amar o próximo, se compadecer com a fome, a dor e o sofrimento alheio. Há outros como os matadores, seriais ou não, pessoas cruéis por índole ou opção que, como diz a letra da música do Cazuza são “Sementes mal plantadas que já nascem com cara de abortadas”.
Por fim, penso que todos somos seres harmônicos enquanto capazes para o amor, quer entre pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto e que em se tratando de sexualidade humana, deve-se evitar o erro de se observar em apenas um plano o que é tridimensional.
Lara Lunna, artista plástica, é formada em Direito e desde 2002 escreve romances homoeróticos na internet, sendo sua primeira obra o “Pour Elle” e após, os contos “Luz da Manhã”, “A Promessa”, “Encantos de uma tarde de Verão” e “Aurora”. Depois, produziu a saga de ficção policial onde a personagem principal, Victória Di Angelis é lésbica combate o crime e desvenda mistérios nos episódios “Miragem”, “O Legado de Nix”, “Devorador de Almas”, “Victória” e “Louise”. Em 2006 ilustrou e participou da coletânea de contos “Elas Contam” lançada pela editora Corações e Mentes e em 2007 está previsto o lançamento de seu primeiro romance.
Não perca de ler os maravilhosos contos de LARA.... eles são repletos de momentos eróticos, românticos e com uma dose extra de suspense.
Victória Alada: romance policial de autoria feminina, com personagem lésbica 12/10/2007
http://contos-lara-lunna.vila.bol.com.br
http://www.elascontam.com.br
“Considerações sobre sexo, amor e homossexualidade”
