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TANIA DIAS - POETISA
Amor Livre

Deêm mais atenção ao amor, seja ele qual for, como for...
Devolvam a força que ele tinha e talvez quem sabe a gente
consiga reerguer o mundo através do amor.
As guerras são substituídas pela pratica do bem-querer.
O direito intocável da vida, do sonho, da liberdade de amar.
não importa a cor, tudo é bonito, venha de onde for...
PRETOS
AMARELOS
BRANCOS
AZUIS...
A vida é curta,
Vê se me entende:
Não se perca, pule a cerca
Saia do armário...
Experimente fazer o que nunca fez.
Desate qualquer nó que te prenda.
Se solte...
Só se vive uma vez!



Tânia Dias
Salvação

Quero tocar as estrelas.
Quero viajar em cometas.
Quero conhecer o céu.
Quero ir às fronteiras da luz.
Quero ver se as estrelas são azuis...
No dorso de um cavalo selvagem.
Quero tocar as vestes dos Santos.
Mas sei que para fazer tudo isto, tenho que primeiro conhecer a dor.
Os prantos dos negros explorados, dos aidéticos, dos desamparados.
Não posso ver as estrelas sem antes ter visto as favelas imundas.
Não posso conhecer o céu sem antes ter mendigado com cegos e
desconhecidos e gritados pelos mortos e desaparecidos.
Não posso viajar em cometas sem sentir no corpo o frio arder.
Sem experimentar a triste letargia dos meninos de rua abandonados.
Antes de conhecer as fronteiras da luz tenho que conhecer o caminho
onde começa o amor, percorrer os atalhos, os becos, buscando amparar
meus irmãos menos favorecidos.
Só com minhas mãos doloridas de servir é que vou poder segurar na crina
de meu cavalo selvagem.
Só com minhas mãos sujas em labor de evoluir é que vou poder tocar as
vestes dos Santos e segurar as mãos do Pai.

Tânia Dias


Recomeço

Tropeços e desilusões transformaram a minha vida.
Mas sinto que começo a caminhar numa longa estrada.
Uma estrada florida...
E você caminha comigo!
Dentro do meu coração!
Embaralho minhas lembranças como se fossem cartas.
E nos tropeços e desilusões, nos prantos e nas dores profundas...
Você caminha comigo!
Dentro do meu coração!
Trago marcas das dores em meu coração.
E a dor era tanta que marcou seu rosto também.
Mas minha estrada não tem fim é longa e eu...
Continuo caminhando, feliz, por que...
Você caminha comigo!
Dentro do meu coração!


Desabafo.

Peço que me deixem a sós com minha dor.
Quero andar sozinha.
Não me culpem pelas pedras no caminho.
Não fui eu quem as colocou ali.
Nelas eu apenas tropecei
Só peço, me aceitem como sou.
Seja qual for o meu caminho...
Larguem-me!
Não vêem? Não sirvo de companhia a ninguém.
Vocês me querem outra.
Pura, honesta, subjugada e ainda por cima hetero!
Não, nunca serei como me querem.
Vão para o diabo! Todos!
Eu tenho que pensar em mim...
Não sou uma boneca.
Não vou entrar na de vocês e esquecer a minha.
Aceitem-me como sou e...
Aceitem, "EU" vou definir quem sou.

Tânia Dias

A VIAGEM


Deitada eu pensava no que poderia encontrar nos dias que estavam por vir.
Profunda introspecção, afastamento crítico-reflexivo de tudo que me cerca.
Estava me sentindo muito insegura.
A questão era esta: Ficar ou partir em busca do novo?
Deitada com insônia tive uma idéia...
Escrever um livro... Uma idéia sem dúvida.
Escrever um livro, algo que me aproximasse dos homens, aqueles que plantam árvores, têm filhos e escrevem livros...
Grande idéia, estava decidida...
FRANK ZAPPA olhou-me fixamente e teleguiou-me um sorriso, o sorriso da invenção – (“A NESCESSIDADE É A MÃE DA INVENÇÃO”) – JANIS JOPLIN, completamente embriagada, também sorriu, um sorriso triste, algo como um blues cósmico, um pedaço de seu coração.
Os quatros bastardos de Liverpool cantaram para mim uma canção, rebelde, londrina... CAMPOS DE MORANGO PARA SEMPRE, AQUI VEM O SOL, TENHO SENTIMENTO, LUCY, MISTÉRIOSA VIAGEM MÁGICA, MICHELE, cantaram várias... O tempo inteiro...
Na estante MACHADO DE ASSIS lançou-me um olhar de dúvida, será que ela conseguirá?
SARTRE não duvidou, sorriu.
E a ele juntaram-se PAULO LEMINSKI, CORTÁZAR, MARX, HELENA KOLODY, PIGNATARI, BALZAC e FERREIRA GULLAR.
De um lado da parede o ego, o super ego e o id, jamais entendi isso.
O violão estava quieto, enquanto o incenso “SOL” ia misturando-se com a fumaça do meu cigarro mentolado.
MICK JAGGER mostrava-me uma enorme língua vermelha.
SHAKIRA viajava montada em sua guitarra, THE CORRS ensaiava num canto do quarto e NORAH JONES cantava para ver se me afastava a insônia.
As pedras teriam que rolar... O vento levava todas as respostas, mas soprava... Dizia o poeta sentado em cima do guarda-roupa. Morava no meu quarto...
A cidade ali estava existindo, as portas, janelas, mulheres, desejo, ruas.
O novo era fascinante.
Sabia que a partir daquele momento deveria partir do nada. Nada eu conhecia, ninguém...
Estava tudo por fazer.


Tânia Dias